segunda-feira, 13 de setembro de 2010

CÓDIGOS II: CÓDIGO SITH

Por Darth Metrius
Na nossa última coluna do Darth Metrius para o Portal Universo Star Wars, iniciamos a série Códigos, abordando o Código Jedi, sob uma ótica e interpretação independentes, mas como se fosse a crítica de um sith. Neste novo artigo, vamos dar continuidade ao tema, agora abordando o Código Sith, a contraparte do já comentado Código Jedi.
Como eu havia exposto anteriormente, o Código Sith é o que reforça e norteia as crenças da Ordem dos Sith e resume a sua conduta. Igualmente salientado no primeiro artigo, um fenômeno semelhante ao que ocorre no Código Jedi também, o Código Sith é um resumo que sintetisa todo o arcabouço filosófico sith. Todavia, este código tem uma diferença significativa relativamente ao Código Jedi: além de ser uma direta contraposição a cada premissa jedi, ela, ao contrário, tem o objetivo de reforçar apenas convicções gerais, e não normatizar e determinar um comportamento a ser seguido. Em outras palavras, o Código Sith existe para, em primeiro lugar, apenas revelar a Galáxia as diferenças marcantes na filosofia de vida e fundamentos de um sith.

Um discurso muito comum entre os sith, é que seus métodos e meio de vida na verdade tem por objetivo conhecer  a “Verdadeira Natureza da Força”. O que um sith almeja é o alcançe do poder máximo que a Força pode lhe fornecer. Cada sith, assim como os jedi e outros sensitivos da força, cientes de que a natureza lhes dera um dom que os diferenciava dos demais seres do universo, via esta dádiva como uma prerrogativa que lhes dava a condição moral de exercer o domínio. “Ora, se existe a Força, e a esta se comunica comigo e com outros não, então tenho o dever de me desenvolver como alguém especial e exercer liderança sobre os demais” – poderia algum sith raciocinar assim.
Todo sith via o Código Jedi como uma espécie de amarra, que tolhia o jedi de experimentar todos os limites da Força, e assim obter poder em sua máxima extenção. Diziam que os jedi tinham medo do poder, e assim o Código Jedi lhes proporcionava uma forma legítima de evitar este poder e esconder o medo, ou apenas os privava de descobrir todas as suas capacidades. Esta é a razão pela qual Palpatine diz a Anakin, no Episódio III:

“Anakin, if one is to understand the great mystery, one must study all its aspects, not just the dogmatic, narrow view of the Jedi. If you wish to become a complete and wise leader, you must embrace a larger view of the Force.”

Em toda a perspectiva sith, a existência era marcada pela Luta pela Sobreviência, sendo os usuários da Força, principalmente os sith, os mais capacitados para se perpetuar e sobrepujar. Isso era um princípio básico, onde todas as criaturas, primitivas ou não, despertada pelas paixões – um meio pelo qual se desperta para compreender a vida em sua plenitude – buscavam a superação. Ou seja, segundo o entendimento dos sith, eles nada faziam além do que obdecer a natureza e lutar pela sua existência como indivíduos mais fortes, evoluidos e poderosos. Um pensamento digno de Charles Darwin.

Vamos ao Código:
Mas antes de começar a análise e interpretação do código em si, me permitam fazer a discriminação de dois códigos sith existentes, que correm pelo fandom nacional e internacional. O primeiro código seria o mais antigo e oriundo de épocas próximas de 4.000 BBY, mas sem uma data precisa:

“Paz é uma mentira, há a paixão;
Com a paixão eu ganho força;
Com a força eu ganho poder;
Com o poder eu ganho vitória;
Com a vitória minhas correntes são quebradas.
A Força ira me libertar!”
Este código é considerado oficialmente como o Código Sith, criado pelos grandes Lordes Negros da Antiguidade da Galáxia Star Wars, e imutável até a época de Darth Krayt, que recitou exatamente estas mesmas palavras, quando em sua estada em Korriban.
Mas há um segundo código, supostamente o código verdadeiro, dividido em duas partes, e sabe-se que uma parte dele é uma possível versão do código verdadeira, mas que a outra parte é uma invensão despropositada de “fãs sem noção” do lado negro sem muita capacidade de diferenciar o lúdico fantasioso e a vida real, fãs de heavy metal (nada contra), e adoradores de Satã (aí tenho contra):
Primeira parte (apócrifa):
“Não há paz, há Paixão.
Não há medo, há Poder.
Não há morte, há Imortalidade.
Não há fraqueza, há o Lado Negro.”
Segunda parte (criação de fãs e totalmente espúria):
“Eu sou o Coração das Trevas.
Eu não conheço o medo, mas o instigo em meus inimigos.
Eu sou o destruidor de mundos.
Eu conheco o poder do Lado Negro.
Eu sou o fogo do ódio.
Todo o Universo se curva à mim.
Eu me abro às Trevas.
Por eu ter achado a verdadeira vida, na morte da Luz.”
Esta segunda parte deste segundo código é uma inserção não-canônica feita por fãs obcecados, por incrível que paressa, e em minha pesquisa, não encontrei nada oficial com relação a esta segunda parte do código. Se notarem bem, a terceira linha desta segunda parte contém uma frase de J. Robert Oppenheimer, o Diretor do Projeto Manhattan que desenvolveu a Bomba Atômica, citando uma parte do Bhagavad Gita. Essa inserção ao pretenço código, é para causar drama e terror, mas nada tem haver com o cânone.
Já a primeira parte, de autenticidade questionada é atribuida a Darth Bane, pouco tempo após a criação da Ordem dos Sith sob a Regra dos Dois, mas nada ainda confirmado.

Muito bem! Cientes disso, vamos ao que interessa:
“Paz é uma mentira, há a paixão.”
Esta primeira linha do código sith, para explicar a si mesma, poderia ser escrita da seguinte forma: “A serenidade é impraticável, há as emoções.
Esta primeira premissa do Código Sith é uma negação aberta da Primeira e Terceira linha do Código Jedi. Basicamente os sith acreditam que negar os sentimentos e emoções é uma ação ineficaz. Para muitos sith, os jedi faziam esforços imensos para controlar suas emoções e manter-se racionais. Não era raro inúmeros jedi não conseguirem atingir a serenidade tanto almejada, mas isso não significava uma impossibilidade. No entanto, para um sith isso era um esforço por demais concentrado em algo que limitava seu poder. Se um sith buscava um poder maior, a serenidade se mostrava um limitador, ao passo que a experiência das emoções e das paixões em sua plenitude era um caminho para a compreensão da verdadeira natureza da Força. Como as práticas sith dependiam da total aceitação das condições e implicações de ser um usuário da Força, as emoções e paixões tomavam um lugar de importância significativa. Se um sith é um ser superior e seu desenvolvimento contínuo, superior aos demais, deve exercer suas emoções, e estas não podem ser restringidas. O sith domina, portanto deve se preocupar em ascender, e não buscar a asceção alheia. Isso pode ser interpretado por egoísmo, apesar de que há uma lógica particular e moral por trás desta postura. A paixão é um caminho para um maior poder, isso já vimos, e nos leva a segunda premissa.
“Com a paixão eu ganho força.”
As emoções e paixões exploradas ao máximo levam ao desenvolvimento de muitas habilidades e poderes da Força que garante ao sith sua superioridade. Se um jedi usava a Força para conhecimento e defesa, um sith jamais se privaria de atacar se pudesse. E a melhor demonstração de Força, é aquele em que o oponente se coloca na posição de defesa. Um sith não apenas busca o conhecimento, assim como o Jedi, mas utiliza e conhecimento para adquirir mais força, e com esta força, ele pode subrepujar aos demais. Força não era apenas um desejo físico a ser alcançado, mas um elemento de vital importância, para inclusive contornar aquilo que fosse interpretado como prejudicial, mesmo sendo um desejo da Força, como os jedi criam. Exemplos disso são Darth Plagueis e Anakin Skywalker; ambos desejavam vencer a morte física utilizando-se de todos os conhecimentos possíveis da Força, mesmo que isso fosse uma contrariedade ao desejo maior desta. Ao passo que um jedi aceita a morte como parte natural da vida, um sith vê a morte como uma inimiga a ser vencida. Se com a Força ao seu lado, o ser pode ser superior, então a morte, destino comum a todos os “comuns”, poderia ser enganada, com o uso da Força que dá vida. A morte é uma culminação de todas as fraquesas. Para um sith a imortalidade é a coroação de toda a sua força, advinda de seu conhecimento da Força e do Lado Negro.
Outra perspectiva desta premissa é a própria crença de que um sith pode ser mais forte e poderoso do que qualquer jedi. Enquanto o discurso de Mestre Yoda, por exemplo, diz que a o Lado Negro não é mais forte que o Lado Luminoso, embora seja mais sedutor, os sith sempre crêem que podem ser mais fortes com o Lado Negro. Se observarmos a lógica e raciocínio sith, as paixões exploradas e expressas ao máximo, sem a contenção de qualquer espécie como acontece na Ordem Jedi, propicia ao sith ganhos maiores. Sua força se multiplica, triplica, quadruplica, ao passo que a privação do jedi lhe impede de densenvolver-se ao máximo. Maior força lhe propicia a condição da iniciativa, ou seja, de atacar se houver a menor chance tática ou estratégica em uma batalha, o que lhe leva a surpresa e intimidação. Se levarmos em conta que na natureza, todas as criaturas, para garantir sua sobrevivência, devem demonstrar força e poder, com um sith não é diferente. A demosntração de força lhe confere, então o Poder.
“Com a força eu ganho poder.”
Esta é a consequência lógica! Diferente da força, que está mais ligada força física, mental e desenvolvimento de habilidades, o Poder é o resultado de ganho de força, ou seja, o domínio. Toda a demonstração de força está ligada a vitória, e para um sith, o alcance da vitória a qualquer custo e por qualquer meio é desevável. Esta é a ética moral de um sith. Sua “superioridade” não lhe prende a obrigações que ponham seres mais fracos em precedência; isso lhe atrasaria o prograsso natural. E esta vitória tem que ser sempre algo que tenha revelado que sua força foi maior do que a de seu oponente. Esta seria a vitória real, pois uma vitória pacífica ou mesmo com o custo da vida, não era uma vitória verdadeira, mas uma ilusão. Para os sith, os jedi eram fracos também por este motivo, já que muitas vezes optavam por soluções pacíficas e as vezes por meio de sacrifícios. Estas vitórias eram fugazes e temporáreas, sem resultados benéficos para o próprio indivíduo. Mas se o sith vencia pela superação da força de seus oponentes, então ele atingiria o poder sobre eles.
Esta é a razão pela qual um sith luta constantemente e é sempre beligerante: quanto maior sua força, maior será seu poder. A força só pode ser demonstrada na luta, então jamais um sith poderia se acomodar com a paz, o que explica também o início da primeira premissa.
Em termos materiais, o ganho de poder é o ápice de todos os sith. Exercer o controle sobre os seres inferiores e estar ciente e atuante em seus contexto circindante. Ele domina, controla, nunca é pego de surpresa, e nunca é tomado de assalto. Pelo contrário, o poder lhe ajuda a intimidar, assustar, surpreender e causar temor. Anos de estudo da Força e treino, deram aos sith, mesmo em anonimato, as condições para que pudessem, na pessoa de Darth Sidious, enfolgar toda a galáxia e sua trama de vingança contra a República e a Ordem Jedi. Os sith se mostraram preparados, mesmo em dois apenas, para dominar e controlar tudo o que sempre desejavam, concretizando-se isso no Império Galáctico.
Aqui há uma distinção notável! Segundo as próprias palavras de Mestre Yoda, que afirma que o poder de um Jedi, flui da Força, ou seja, não é dele mesmo, mas é concedido, um sith adquiri poder para si mesmo, pelo uso da Força pela força. Se um jedi se considera alguém que é servo da Força, um sith olha a mesma como apenas um meio.
“Com o poder eu ganho vitória.”
Se há força, há poder. E se há poder, então a vitória estará garantida, pois sempre ele irá sobrepujar os seus oponentes. Na prática, nem sempre isso era uma verdade, principalmente antes da virtual extinção dos sith, e a criação da Ordem por Darth Bane. A Regra dos Dois propiciava que os sith, antes preocupados em vencer os jedi, mas também vencer uns aos outros pelo título de Lorde Negro de Sith, agora pudessem ser vitoriosos sempre que os desafios impostos a eles, fossem superados pelo alcance do poder. Darth Bane entendeu isso de forma que se, apenas dois pudessem existir, seu Poder seria maior, pois não estaria diluido em número.  Seu treinamento e trabalho agora seria o alcance da perfeição, onde o conhecimento e o desenvolvimento de suas emoções e paixões lhes levariam ao ganho de força, sendo esta responsável pelo alcence do poder. Com o poder, o resultado final seria a vitória perfeita, a maior prova de seu domínio e superioridade. E para um sith, nenhuma vitória seria maior do que uma vingança contra os jedi da qual este não pudessem escapar da derrota e obliteração total.
“Com a vitória minhas correntes são quebradas.”
Este é o objetivo máximo do sith, em termos existenciais. Todas as vitórias conquistadas iniciam um novo processo, que se volta para o começa de tudo. Todas as correntes que prendem um sith são quebradas, sejam elas restrições, como na Ordem Jedi, sejam obrigações com a Força, sejam condições impostas naturalmente como ser vivo, limitações, etc. Livre para atingir todo o seu potencial, um sith se torna capaz de viver suas paixões e força de forma plena. Com Força e Poder, ele se constitui alguém superior e total, abaixo apenas da Força, de quem faz uso para seu próprio benefício, para a prefeição. Poder puro, perfeito, livre, sem restrições: é o que torna um sith em um Sith Completo. Quase nenhum sith conseguiu fechar este Ciclo, mas acredítase que esta perfeição total foi atingida por Darth Bane, que eliminou a desordem dos sith, mas fez com que estes voltassem muito mais fortes e poderosos. Ele seria o Sith’ari, o Overlord de todos os sith. Partindo dele, toda a Ordem Sith acumulou conhecimentos e força suficiente para alcançar o Poder máximo, manifesto na concretização de sua vingança, por meio de Darth Sidious e seu aprendiz, Darth Vader, o Escolhido da profecia Jedi. A ironia jedi era sua maior humilhação: ao passo que Anakin era o Escolhido para trazer o equilíbrio da Força, ele veio a se tornar uma peça importante para a complitude da profecia sith sobre o Sith’ari e seu trabalho final.
Ao fim do código, está toda o resumo deste: Em apenas uma última premissa, toda a crença dos sith se pode observar:
“A Força ira me libertar!”
A completude de seu treinamento, dedicação e esforço, no fim das contas é a busca pela liberdade total, da qual a Força seria a responsável. Um sith, que se via como alguém abençoado pela capacidade de se comunicar com a Força, de forma maior e melhor do que qualquer outro ser da galáxia, desprovido de sensibilidade, tinha a missão pessoal de se libertar de suas condições e limitações, enquanto ser, e de suas restrições e imposições de outro – coisas que lhe viessem a tornar fraco.
De certa forma, os sith não desejavam o exercício da maldade de forma gratuita, mas percebiam que para dominar, muitas coisas consideradas erradas, teriam de ser feitas. Esta era uma ética que visava o benefício primeiro de si mesmo, muito embora não negasse o benefício de terceiros, desde que estes estivessem abaixo. Persebe-se isso ao ver que mesmo dominados pelo Lado Negro, muitos sith eram capazes de ter sentimentos por quem lhes era próximo. A lenda de Darth Plagueis fornece uma visão nova sobre os sith. Darth Plagueis passou a vida estudando a Força com o objetivo de evitar a morte – primeiro a dele mesmo, mas em segundo lugar daqueles com que se importava. Mas não podemos, contudo, achar que isto era uma espécie de altruísmo as avessas. Muito disto era motivado pelo medo e receio da perda, elementos que conduziam um jedi ao Lado Negro, como no caso de Anakin Skywalker. Não podemos dizer que os sith poderiam sentir o Amor incondicional, mas poderiam se importar (que não necessariamente era sempre algo positivo). Cade Skywalker é uma demonstração disto: pedia sentir amor e compaixão com tanta intensidade, que isso poderia lhe levar ao extremo, ao ódio e a ira. Duas faces de uma mesma moeda. Um jedi, apra evitar isso, aprendia o desapedo de coisas materiais e mesmo de pessoas, buscando a paz que lhe clarificava a visão. Porém, como isso nem sempre era possível, então muito jedi sempre flertavam com o Lado Negro, ou ao menos se decidiam por abandonar a Ordem Jedi, para não ter que infrentar a si próprios.
Um sith, em sua essência, é um ser que busca apenas seus interesses, mas que sendo eles alcançados, ele poderia vir a pensar nos outros – ou não – e desde que estes não lhe sejam um empecilho.

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