quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PREQUEL TRILOGY: UMA NOVA PROPOSTA PARA STAR WARS, PORÉM NÃO COMPREENDIDA

Por Darth Metrius

Eu sou da geração que se tornou fã de Star Wars assistindo O Retorno de Jedi nos cinemas, e Star Wars (hoje Episódo IV: Uma Nova Esperança) e O Império Contra-Ataca na extinta TV Manchete e na Tela Quente, já na TV Globo, durante a década de 80, época esta que ainda permanecia a obrigatoriedade de uma lei do moribundo regime militar que obrigava a todos os títulos de filmes extrangeiros serem traduzidos para o português, de modo que todo mundo perguntava: "Você já assistiu "Guerra nas Estrelas"?

Foi nesta época que minha fascinação deu seu início e de lá pra cá, ainda permanece forte, com a grande possibilidade de ser passada adiante, para meus filhos (espero que eles curtam Star Wars tanto quanto eu). Lembro-me como se fosse hoje, quando meus pais me levaram a um antigo cinema no bairro do Centro, em minha cidade. Em uma grande parece, na entrada do cinema, havia a pintura do Poster oficial de O Retorno de Jedi, e todas aquelas pessoas na fila da bilheteria, para poder comprar o ingresso, e entrar em outra fila enorme, que foi organizada para poder entrar na sala de projeção.


Eu era muito pequeno, mas lembro-me como se fosse ontem: Chegamos no fim da tarde para assistir ao filme, lembro do Jabba The Hutt (fiquei vidrado nos olhos dele), lembro da Twi'lek verde caindo no foço do Rancor, lembro do ewok morrendo após uma explosão, lembro do Imperador soltando raios e de Darth Vader conversando com Luke na plataforma de pouso em Endor, além do mordomo de Jabba, Bib Fortuna e seus tentáculos esquisitos. Saí do cinema totalmente fã daquele que eu chamava de "Robô Preto".

Como a minha história, milhares de milhões de fãs pelo mundo afora tiveram a sua primeira vez com Star Wars, e nunca mais deixaram de vibrar com nossos heróis Luke Skywalker, Princesa Léia, Han Solo, o querido Chewbacca, R2-D2 e seu inseparável amigo C-3PO, e os vilões Darth Vader, Imperador, Boba Fett, o gosmento Jabba entre tantos outros personagens. Foi a Trilogia Clássica, Star War, O Império Contra-Ataca e o Retorno de Jedi, que consagraram George Lucas e o tornaram um dos cineastas mas conhecidos e admirados do mundo. É desta geração, que percorreu o final dos anos 70 e todo os anos 80, que hoje surgem os chamados "Puristas". Quem são eles? - você se pergunta. Respondo: São os fãs que odeiam a Edição Especial de 1997, e a nova trilogia, iniciada em 1999 com Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma, e que mudou todos os títulos dos filmes clássicos.

Mas após esta introdução, se os meus caros leitores acham que o tema é sobre os "Puristas", na verdade não. Eu vou abordar neste artigo outro assunto relacionado a eles, seu objeto de ódio: A Nova Trilogia.

Após o ano de 1999, por ocasião do lançamento da Nova Trilogia, toda a Saga de Star Wars sofreu uma mudança radical. Os títulos foram todos numerados, e agora Star Wars: Uma Nova Esperança, passava a se chamar, Star Wars Episódio IV: Uma Nova Esperança, assim como os demais, que passaram a receber os acréscimos de Episódio V e Episódio VI, respectivamente. Naquele ano, 1999, Episódio I: A Ameaça Fantasma, inaugurava uma nova trilogia que tornaria a marca Star Wars uma das Sagas do cinema mais rentaveis do mundo, se não for a maior de fato.

A indignação dos "Puristas" vem desde 1997, com o relançamento da Trilogia Clássica, quando da sua remasterização e digitalização. Todas as películas foram recuperadas e George Lucas aproveitou o sucesso obtido por seu colega Steven Spielberg em Jurassic Park, para incerir cenários e efeitos especiais que em 1977 a 1982 não eram possíveis. Aí começou as reclamações. O maior argumento dos "puristas" é que George Lucas jamais deveria ter maculado os filmes originais com CG e alterações. Tem quem abomine até hoje ver Jabba The Hutt ao lado de Han Solo, em Uma Nova Esperança, mesmo sabendo que seria uma incoerência manter o ator original (Declan Mulholland) interpretando o vilão gosmento, se em 1982, ele era um monstro em O Retorno de Jedi. Mais o maior motivo de ira, no Episódio IV, para os puristas, é o tiro de Han Solo em Greedo. A película original, o primeiro tiro é dado por Han Solo, o que denota o seu caráter como contrabandista. Mas como ao longo da história, Han Solo passa a ser um herói, o tiro em Greedo passa a ser um ato de vilania que não combinaria com o personagem. Resultado: Greedo dá o primeiro tiro em 1997. Os puristas vão a loucura!!! Muito embora, pessoalmente, eu ache a cena não tinha a menor necessidade de ser alterada, hoje isso para mim não faz a menor diferença. De qualquer modo, Han Solo teria de dar o tiro inicial se quisesse viver, ou poderia ter tido muita sorte com a má pontaria de Greedo, que era um tiro a queima-roupa. Esta e tantas outras coisas feitas em Uma Nova Esperança foram o marco de nascimento dos "rebeldes" contra George Lucas.

Em 2000, prestes a fechar o milênio passado e iniciar o século XXI, a Saga agora contava com mais um filme, que se propunha a contar a história de Anakin Skywalker, aquele que viria a se tornar o temido Darth Vader, na Trilogia Clássica. Os fãs de todo o mundo correram para os cinemas no ano anterior, acompanhado de seus filhos, alguns já adolescentes, mas que já havia aderido ao mesmo entusiasmo de seus pais por Star Wars, entre eles meu irmão e eu (foi com Episódio I que meu irmão se tornou fã de Star Wars, e com a minha influencia também).

A nova geração de fãs, que hoje são adolescentes e jovens com seus vinte e poucos anos, saiu dos cinemas adorando o que tinham visto. Ao passo que os fãs mais antigos, a maioria já com seus quase trinta anos de idade, e hoje, fãs de cabelos grisalhos, estavam decepcionados. Que filme era aquele? Quem eram aqueles personagens? Que moleque chato era aquele? E quem era aquele sapo de orelhas falador e irritante? Esta era a impressão da maioria. Daí por diante, os "Puristas" voltaram seus canhões para a Nova Trilogia. Muitos tem alegado que a Nova Trilogia é desprovida de tudo aquilo que fez a trilogia clássica um sucesso. Que lhe falta o mesmo toque que os filmes originais recebeu. Houvesse até dizer que a Nova Trilogia não é Star Wars; pode ser qualquer outra coisa, menos Guerra nas Estrelas.

Eu me considero um fã legítimo de Star Wars, criado com os filmes originais, fominha de O Império Contra-Ataca, meu filme predileto e o que mais foi exibido na Tela Quente, e um admirador confesso de Darth Vader, nunca passei por esta crise de identificação e posterior rejeição a Nova Trilogia. Apesar de ter que admitir que os Episódio I e II deveriam ser melhores, jamais atiraria pedras neles como sendo porcarias. Aliás, depois que eu comprei o Box DVD da Trilogia Clássica, lançado em 2004, eu achei o Episódio IV o mais parado e enfadonho de todos os seis (melhorando só do meio do filme pro final). Mas esta foi a minha impressão inicial, após rever o filme depois de tantos anos, e agora contaminado por toda aquela avalanche de CG que veio nos Episódio I e II. Minha percepção havia se modificado, já que eu não havia julgado a A Ameaça Fantasma e O Ataque dos Clones com a mesma ferocidade dos "puristas".

É natural, e totalmente compreensível a revolta dos "puristas" e não os condeno por isso. A Trilogia Original, principalmente o Episódio IV, ganharam sua fama e prestígio devido a uma série de fatores. Até o ano de 1977, não se via efeitos especiais que se criaram para Star Wars. Uma Nova Esperança marcou um ponto inicial do que seria o cinema dali por diante. Após o ano de 1977, muitos diretores de cinema passaram a fazer seus efeitos especiais, copiando e imitando tudo o que havia de bom criado por George Lucas e sua maravilhosa equipe. Nada mais seria igual! Antes de 1977, os filmes de Hollywood eram pessimistas e refletiam o espírito da época na década de 70. A maioria dos filmes eram recheados de violência, de gêneros policiais e marginais, ou retratando tragédias, como Inferno na Torre (The Towering Inferno, 1974). Star Wars veio para trazer de volta ao cinema a fantasia, a aventura, o humor sutil e o romance. Foi a ressurreição do gênero Ficção Científica como o conhecemos hoje. Foi sim, por estes méritos, que a Trilogia Clássica ganhou suas legiões de fãs por todo o mundo. O problema é que os ditos "puristas" julgam a Nova Trilogia pelos mesmos critérios com que julgaram a Trilogia Clássica. Não deviam!

Ao surgir no final da década de 90, A Ameaça Fantasma, O Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, não o fazem da mesma forma que os originais fizeram. O ethos e o contexto mudaram muito, e a atual geração não optou por afogar a sua desesperança na tragédia e violência, mas preferiu fugir para o imaginário, onde dinossauros ainda vivem, crianças podem se tornar bruxos poderosos e humanos, anões e elfos se unem para destruir um anel diabólico. Isso é interessante pelo fato de que, em 1982, Steven Spielberg, lançou E.T. o Extra-Terrestre, se valendo da experiência adquirida por George Lucas e suas empresas de animação, efeitos especiais e sonoros, inaugurado em Star Wars, mas para em 1999, esta coisa mudava de figura. O já citado Jurassic Park foi o início de tudo para a perfeita inclusão dos CGs em filmes Live Action, sem parecer artificial e sendo extremamente convincente. Com o trabalho desenvolvido por Steven Spielberg, no desenvolvimento da CG para o cinema, ao criar seus dinossauros, George Lucas percebeu que era chegado o momento de criar a continuação da Saga, o melhor, voltar no tempo e contar como tudo começou. Desta forma, quando o Episódio I extréia, o CG de alta-qualidade já não era mais uma novidade, ainda que tenha passado por aperfeiçoamentos dramáticos, se compararmos o primeiro longa da nova série, com o primeiro Jurassic Park.

A despeito de todos os fãs antigos possuirem uma curiosidade por conhecer o que era a Velha República e o que havia naqueles tempos antes do Império Galáctico, muitos não compraram a idéia e a visão de universo de George Lucas, preferindo comparar tudo o que viam, com a série original. Tudo era esquisito demais; nem mesmo Tatooine, um planeta familiar a todos, parecia com Tatooine. Notavasse que já havia uma implicância gratuita muitas vezes, e nenhuma vontade de observar o filme sob outra ótica que não a ótica da série clássica. Daí surgiram as queixas contra o Episódio II: O Ataque dos Clones, quando alguns fãs reclamaram que o filme não tinha batalhas espaciais. Espera aí...: quem disse que em Star Wars sempre as batalhas tem que ocorrer no espaço. Mas se o critério é batalhas espaciais, Episódio V também não tem; perseguições de naves é o que mais se vê em O Império Contra-Ataca, apresentando uma batalha em solo, a Batalha de Hoth. No Episódio II, a coisa se repete; vemos uma perseguição envolvendo nada mais nada menos que a Slave1, o caça do famoso caçador-de-recompensas Boba Fett, que nunca tinha sido mostrada em ação, e ali estava ela, perseguindo um famoso jedi, Obi-Wan Kenobi. Mas os "puristas" não deram o devido valor a isso. Além disso, a Batalha de Geonosis é muito eletrizante, e podemos ver os generais jedi em ação, naquilo que antes era só uma citação de Luke e Léia em Uma Nova Esperança, as Guerras Clônicas. Mas novamente não foi dado o devido crédito.

Com o melhor filme da Nova Trilogia, Episódio III: A Vingança dos Sith, a coisa não melhorou muito. Apesar de ser aplaudido pela crítica e pelo público (menos pelos membros da academia, aqueles idiotas), o filme voltava a ser alvo de críticas pesadas. Desta vez não pela obra como um todo, mas desta vez pela atuação de Hayden Christensen e Natalie Portman (apesar de em pouco tempo ela ter se tornado uma das queridinhas de Hollywood). Seria esta uma geração de fãs sofredores de TPM e eternamente insatisfeitos?

A verdade é que, em minha opinião, mesmo com todas as falhas, e coisas que deveriam ter sido feitas e não foram, a Nova Trilogia merece seus louros com todos os aplausos e euforia dos fãs. Reconheço que muita coisa poderia ser sido melhor, melhor contada, melhor aproveitada, melhor apresentada, mas a inovação já não era mais um dos objetivo de George Lucas. Poucos entendem a proposta da Nova Trilogia. George Lucas não estava preocupado em mostrar na Grande Tela algo do tipo: "Olha como eu faço esta nave explodir!"; ou do tipo: "Olha este efeito especial que eu fiz!"; ou ainda: "Percebe que este é real e aquele é de computação gráfica?" Não! Não mesmo. Esta não era a proposta do Tio G.L. quando lançou o Episódio I. O seu objetivo era escrever e filmar apenas uma história, um conto, uma saga estelar que, quando totalmente reunida, narraria a história de uma criança que amava demais as pessoas, e que quando cresceu, se preocupava tanto com seus queridos que tinha medo de perder a eles e a tudo em sua volta, levando-o assim ao fundo do poço, transformando-o em uma pessoa amarga e cruel, que perseguiu os seus próprios filhos, sem mesmo saber que o eram, arrastando atrás de si o mundo e as demais coisas, até o dia em que um de seus filhos o chama de volta para a razão e a luz, mostrando a ele que ele não havia perdido nada, mas ganhado uma família e uma descendência.

A Nova Trilogia veio completar o que se tornou a mitologia moderna do homem, a narrativa fantástica e alegórica da trajetória humana na terra, de sua cultura, sociedade e individualidade. É a parábola futurista que nos remete ao lado espiritual de todos os humanos, sob a ótica de um mundo que nem sequer sabemos se um dia chegaremos lá. É por esta proposta que a Nova Trilogia deve ser avaliada a apreciada pelos fãs de Star Wars, e até pelos ditos "puristas". Mesmo com a presença de Jar Jar Binks, e a morte prematura de Darth Maul, temos que repensar em que critérios avaliamos a nova série. Para os fãs novos, tudo é novidade, então o entusiasmo deles é natural de se esperar. Mas como foi possível um fã da velha guarda, como eu, crescer ao lado de Chewbacca, e ainda assim gostar de Qui-Gon Jinn? Isso porque os personagens conseguiram cativar o público tanto quanto Han Solo ou Boba Fett. Quem não gosta, dos que apreciam a nova série, de ver o sábio mestre de Obi-Wan? Quem não gosta de ver o próprio Obi-Wan, ao longo dos anos, se tornar um cavaleiro jedi e chegar ao posto de mestre do conselho? Quem não se apaixonou por Aayla Secura, e seu biquíni jedi? Quem não se empolgou ao ver a deflagração das Guerras Clônicas, ao ver o Mestre Yoda lutar com seu sabre de luz, ao ver C-3PO em construção e conhecer a origem do querido R2-D2? Quem não desejou ver como Anakin se tornava Darth Vader, e como ele enfrentaria seu mestre ao cair para o Lado Negro da Força? Quem não sentiu uma ponta de saudade dos Stormtroopers ao ver pela primeira vez os Clonetroopers, e persebeu que deles viriam as temidas tropas de elite do Império? Quem não queria conhecer a capital da galáxia, Coruscant, e se maravilhou com Naboo, Kamino, Kashyyyk, Utapau e Geonosis?

Estas são apenas algumas poucas coisas que listei, e que só são possíveis de se ver, graças a Nova Trilogia. Sem a qual, hoje, não seria possível a milhões de fãs, debater sobre quem era a mãe de que Léia se recordava vagamente em O Retorno de Jedi? Seria sua mãe adotiva? Ou seria Padmé Skywalker? São frutos que hoje nos dão a possibilidade de ampliar a Saga ainda mais, como já é realidade, tanto na linha do tempo antes, como depois da trilogia original. É nestes resultados, mas principalmente, pelo que os três novos longas da Saga narram, é que se deve julgar e apreciar. São novos tempos, novas tecnologias, novas histórias, e novas tudo, permitindo-se a comparação e juízo entre si, na medida em que se observa cada contexto em sua época, e se analisa cada filme de acordo com o que ele próprio deseja mostrar.

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