quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

NOSSO DEUS É DEUS DO RISO, MAS JAMAIS CONTARIA UMA PIADA SUJA

Por Demetrius Farias

Este mês que passou eu me vi em uma situação que me deixou com os dedos coçando para escrever.
Eu mereço!!!
Estava eu acessando meus blogs preferidos, como de costume, no dia 17 de janeiro, quando fui acometido de surpresa ao ver publicado um texto bastante familiar, já que o "causo" relatado no mesmo, eu já havia ouvido pela boca de dois ou três. Se vocês quiserem ler o mesmo, está publicado neste site: O anjo do dedo de fogo!


Por ser um texto de uma pessoa conhecida, relativamente próxima a mim, eu fiquei por demais curioso em ler. Aos iniciar a leitura, já sabia mais ou menos do que se tratava aquela história, tendo em vista que já havia ouvido o relato por boca  de conhecidos. Comecei a rir sozinho, pois a medida que lia, também eu ia me lembrando de todo o restante da história e me recordando do seu final. Mas o que era para ser mais uma piada feita a partir de coisas corriqueiras, prosaicas e típicas do universo evangélico (pentecostal), de uma hora para outra se tornou uma piada suja, de cunho sexual. Eu já conhecia este causo a algum tempo, e todas as vezes que eu ouvi, riu muito, já que a coisa é hilariante por natureza. Mas em todos os casos, nenhum dos narradores deu o ar de licencioso que a postagem, no blog em questão, apresentou. Diga-se de passagem, o autor foi um dos que me contou o "causo", em alguma ocasião, e sem ser tão marrom. Fato ainda mais interessante é que outros conhecidos e amigos que relataram o acontecido, alguns pastores inclusive, confirmaram que há a possibilidade real de isto ter acontecido de fato. Sendo assim, estamos lhe dando com um caso verídico, onde maior responsabilidade devemos ter, se estivermos zombando da ação de Deus a vida de uma pessoa simples, sem muita cultura, oriunda do interior do Brasil.
O que me deixou um pouco decepcionado, foi que o dono do blog, uma pessoa pela qual mantenho uma admiração pelo trabalho desempenhado, tenha encorajado o autor a permanecer firme na redação do seu texto.
Onde fica o absurdo disto tudo? Se vocês, caros leitores, se interessarem em ler um pouco os comentários postados na referida publicação, vão se deparar com as mais variadas manifestações pró e contra o texto, inclusive a minha. Basta citar que, igual a outros comentários, se lê coisas do tipo, vindo de sujeitos que eu denomino de "os crento", coisas do tipo, como:


"Quase morri de rir...
Esse anjo tá com segundas intenções...
Manda ele dar uma dedada (queiram perdoar, por favor)   no Terra Nova...
hahah"


Ou ainda:

"Tem informação de qual era o dedo usado....rsss" (Estúpido! O próprio autor se prestou em dizer que era o dedo indicador. Aprende a ler!)

Havendo quem também usasse a expressão: "dedada de fogo" (queiram perdoar outra vez.)
Também teve quem reprovasse a publicação, e um que fizesse uma tolinha apologia do texto, argumentando falta de humor e sisudez por parte dos crentes.
Alguns até poderiam me questionar agora: Qual a diferença, então, do "causo" escrito no blog e as histórias contadas a você a viva-voz??? Não é o mesmo contexto, a parte hilária da história não reside no mesmo elemento que tornou o relato escrito em uma piada imoral? Não é o mesmo cunho sexual?
Resposta: NÃO!
A diferença está justamente nas palavras escolhidas para contar a história. Vejam bem:
"De noite apareceu um anjão todo de branco cuja mão direita possuia (SIC) um enorme dedo indicador que tinha uma luz vermelha na ponta. Ele veio em minha direção e me tocou por trás com seu dedo de fogo. Quando ele me tocou, irmãos, senti um ardor horrível no meu traseiro, e de repente sumiu totalmente a inflamação e a dor!"
Conheço a história, e sei que as palavras anjão, enorme, traseiro, são licenças do autor. Pra começar, traseiro não é uma expressão e gíria urbana comum do interior do Amazonas, nem mesmo se pode afirmar que, ainda com a possibilidade real dele ter utilizado a expressão, se ele era de uma igreja pentecostal do interior, muito dificilmente esta pessoa diria a palavra "traseiro", "ânus", "bunda", ou o que fosse, de forma confortável. O formalismo e os costumes pentecostais não permitiriam. O termo "anjão" pode até ter sido dito, mas no texto ele só serve para enfatizar, juntamente com a palavra "enorme", o tamanho do dedo do suposto anjo. Vamos combinar uma coisa: vamos deixar de lado a hipocrisia e assumir que o relato só nos remete a um pênis tocando o ânus do homem, e pronto. O fato, ainda que verídico, contado desta forma, toma conotações pejorativas. Em outros dois parágrafos escreve:


"Naquela noite dentro do templo, muitos homens estavam em pé nos corredores e perto das paredes laterais, foi aí que o irmão da cura anal complementou seu testemunho com chave de ouro:
─ Irmãos, e tem mais! O Senhor tá me revelando agora que esse anjo está aqui, passeando no nosso meio com seu dedão curador!"

Preciso dizer alguma coisa sobre isso?: "irmão da cura anal".


Arrisco também a dizer que a expressão "dedão curador" não foi utilizada pelo senhor livre das hemorróidas, por meio da intervenção divina. Com certeza, é mais uma licença do autor e só serve para apimentar ainda mais a piada.

Eu mesmo já contei esta história algumas vezes e nunca dei o tom marrom que o texto deu. Dedão, anjão, cura anal (Por quê não: cura da hemorróidas? Não é a mesma situação contada de forma mais polida?), foram palavras simples e até livres de conotação grosseira, mas que reunidas em seu contexto escrito, ganharam uma tônica pesada, de mau gosto, e com a infeliz conclusão de que o texto era uma piada de crente com a meladeira típica do brasileiro de contar piadas com fundo erótico.
Acredito que o autor jamais teve a intenção disto, não quis ser ofensivo, ou menosprezar pessoas, mas se a intenção era boa e de apenas relatar um caso jocoso para fazer o leitor rir, infelizmente o "tiro saiu pela culatra". Como diz o velho ditado: "De boas intenções...!!!" Muitas vezes dizemos, fazemos, escrevemos ou mesmo nos furtamos a ação de coisas que por si são - para nós mesmos - simples, sem maldade, inofensivas, mas que ao pensarmos melhor, ou analisarmos de forma mais fria, descobrimos que tudo foi feito na hora errada, no lugar errado, da forma errada, e, muitas vezes, sem real propósito ou nobreza.

Na Carta de Paulo aos Efésios, no capítulo 5 e versículos de 1 a 4, diz:

"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados;
e andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave.
Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos;
nem conversação torpe, nem palavras vãs ou chocarrices, coisas essas inconvenientes; antes, pelo contrário, ações de graças."
Uma versão mais atual diz: "Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados, e vivam em amor, como também Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus. Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual nem de qualquer espécie de impureza nem de cobiça; pois estas coisas não são próprias para os santos. Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças."
O apóstolo Paulo nos dá recomendações do que é - ao menos deveria ser - o procedimento cristão. A prática do amor, que se expressa na ação relativa a outro ser humano, é a certeza máxima de que estamos imitando a Deus. Tudo que é feito a outrem, que não produz entrega voluntária de si mesmo em favor do próximo,  respeito pelo corpo e pela alma, edificação e graça é feito em pecado, produzido pelo pecado e gerador de mal. Estas orientações de Paulo vêem precedidas de muitas outras que nos falam do proceder dos gentios, que não cabia mais ao estilo de vida dos crentes de Éfeso (capítulo 4, versículos 17 ao 32). E ao fechar todas aquelas recomendações, Paulo entra com um resumo prático do que é a conduta final. Não só a prática da imoralidade e da impureza sexual deveriam ser banidas do meio da igreja, mas até mesmo a menção delas também deveria ser evitada, ensinado de que forma, inclusive. A prática da cobiça e imoralidade não convém a ninguém, muito mais aos santos. Da mesma forma, Paulo fala da menção destas coisas, e seguindo o texto, ele explana: "Não haja obscenidade nem conversas tolas nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ação de graças."
É muito claro para nós hoje, como era claro para Paulo e seus leitores no primeiro século, de que a imoralidade na fala era algo pecaminoso. Infelizmente, atualmente se vê muitos crentes usando em seu vocabulário o calão mais baixo que se tem no português. Parece que agora é moda se dizer, entre os evangélicos, as expressões chulas e vulgares. Também não é mais raro encontrar quem conte piadas imorais e de cunho sexual, sem sentir o menor constrangimento, sendo que a escritura é clara quanto a inconveniência destas práticas. Na versão Revista e Atualizada de Ferreira de Almeida, ele usa a expressão "conversa torpe" e "palavras vãs e chocarrices", que podem ser definidas como conversas vazias e frívolas, sem utilidade e ocas, que podem ser perversamente mordazes e zombeteiras. Trocando em miúdos, é a conversa tola, boba, a piadinha imoral, a piadinha maldosa, o duplo sentido, a conversa desagradável, os palavrões e as imoralidades na fala. Se tais coisas não soam como ações de graça e, mínimo, algo que possa indicar que você tenha uma boa conversa, então não se deve ser dito, ou mesmo escrito.
Em Colossenses 3:8, Paulo dá admoestação semelhante: "Mas agora, abandonem todas estas coisas: ira, indignação, maldade, maledicência e linguagem indecente no falar"(NVI). Também em Efésios 4: 29 encontramos os mesmos princípios, de modo que, pensando na conduta de Paulo, que diz de seu próprio respeito, "sede meus imitadores como eu sou de Cristo" (I Co. 4:16 e 11:1), e nos lembrando das suas palavras ao nos encorajar a imitar a Deus (Ef. 5: 1), além da recomendação do autor de Hebreus 6: 12 e de Paulo novamente em I Tessalonicenses 1:6, me pergunto: Será que veríamos Jesus, ao redor de uma fogueira, com seus doze discípulos, na beira do Tiberíades, contato piada de anjo dando ded...a(vocês sabem o resto da palavra) em uma pessoa? É claro que não! Ah, Demetrius, mas o relato é de uma cura de hemorróidas engraçada e não de uma ded...a gratuita no homem. É verdade! Mas da forma como foi contada, pareceu que tal anjo estava afim de sair passado pelo meio da igreja, violando os irmãos. Será que veríamos Paulo contado piadas imorais para os seus leitores em suas cartas? A resposta é um redondo "NÃO"!

Mas a história que conto a vocês não para por aqui. Depois de alguns dias, lá para o dia vinte para ser mais preciso, o autor fez uma defesa própria que ficou, ao meu ver, mais infeliz, já que  o que parecia uma justificativa razoável, na verdade nada tem haver com o cerne da questão.
O argumento de defesa é que: Deus é o Deus do Riso, e a Bíblia tem um lado hilário. Para fundamentar que Deus tem senso de humor apurado, ele utilizou Salmo 2 e Gênesis 21:6. Concordo plenamente com ele de que Deus, com base nestes textos, ri e não somente ri, mas faz outros rirem também. É um absurdo achar que Deus não tem senso de humor, se ele mesmo foi quem criou o homem (Gn. 1:27). Podemos dizer sem dúvidas de que Senso de Humor é um atributo divino.
O autor também apresenta as Escrituras como recheadas de humor (também), quando cita I Reis 18: 27. O caso de Elias zombado dos profetas de Baal, no episódio do Monte Carmelo, é um exemplo sim de humor ácido.
Jesus tinha senso de humor? Sem dúvida! Mas ao contrário do que o autor nos faz crer, Jesus não ficava sentado em rodas de conversa tola e uma festa regada a muito vinho e gente embriagada e glutona, muito embora concorde que ele não era de ficar, como no casamento em Caná da Galiléia, de cara fechada e braços cruzados, sem se envolver com os convidados e demais membros da festa.

O que eu não aceito, e já expus o meu exemplo, é pensar que seja verdade que Deus tenha um humor cheio de duplo sentido e com aparência de sensualidade e lascívia, pois dizer que criticar a isso é ser hermeticamente fechado em tabus e regras e reprimido, é no mínimo, demonstrar total falta de conhecimento de Deus, sua natureza, e sua vontade quanto a nós, seres humanos. Se contar uma piada suja é, como ele próprio afirma, seguir "(...) os passos de meu Deus e de meu Mestre, vivendo na liberdade consciente de ser eu mesmo, em meio a um mundo que é por si só perdido, deseperado (SIC) e maligno, mas com a chance de ver a vida positivamente, sob a ótica do humor e temperada com muitos cartoons, piadas e muitas gargalhadas", então este mestre e Deus não é o mesmo que o meu. Sinto em lhe dizer, meu estimado amigo (pois sei que um dia ele vai acabar lendo este artigo), você labora em erro! Digo isso com todo o respeito e amor que tenho por ele e pela família, cuja casa frequentei por anos.
Saiba que "ser você mesmo é algo muito bom", quando se quer ser transparente e verdadeiro com as pessoas, quando se quer ser honesto, quando se deseja não se anular diante das pessoas, em detrimento de si próprio, e quando se quer humilhar e confessar diante de Deus. Mas muitas vezes, "ser eu mesmo", em sua plenitude, em guardar o mínimo de reservas, pode revelar o pior de nós, escapando o monstro caído que reside em nossa natureza humana. Como você mesmo disse, o mundo é perdido e desesperado; não posso me dar ao luxo de colaborar ainda mais para isso, principalmente se sou um filho da luz, assim como você.

Bom humor, risadas, comédia e alegria tem tudo haver com nosso Deus, com o Jesus, sua natureza e essência. Com toda certeza, nada disso tem haver com o diabo. Todavia, Satanás suja partes da criação com sua lama fétida, levando ao homem a apreciar a comédia suja e podre, cheia de sexualidade pervertida e duplo sentido picante, a moda de Casseta e Planeta, A Praça é Nossa, Pânico na TV, Zorra Total, etc.
Isso tudo não é, e jamais será, apologética com humor, senso de humor apurado, ou outra coisa semelhante. Com isso, ao expressar minha ótica sobre toda esta novela, também não aceito ser alcunhado de "matador da alegria", pois sempre é alegre o povo que ama a Deus, e eu amo a Deus. Não aceito que me chamem de estraga-prazeres, se sou um apreciador de uma boa piada, e diversão sadia (sou estraga-prazer sim, se este prazer for obra da carne, como em Gálatas 6). Divulgar a verdade por meio do humor inteligente, sendo até, se for o caso, cáustico, quando da necessidade da crítica ou exortação, é totalmente lícito, contudo, meu caro autor e demais leitores deste artigo, lamentável será, na realidade, fazer humor marrom e sujo, alegando que tenha sido algo leve, alegre, descontraído e fino. Por favor, tenho inteligência suficiente para perceber o santo e o profano (Ez. 44:23), sem falar do incômodo que isso traz ao espírito de qualquer um.

Mas se para muitos, fugir do legalismo é abraçar a permissividade em nome da liberdade cristã, então eu prefiro, então continuar com o meu suposto farisaísmo, a ter que engrossar as fileiras dos que acham que a igreja é uma fábrica de pessoas cinzas que não sabem viver a vida. Pois que fique claro que eu tanto sei ser feliz com meu Deus, como sei ser alegre e feliz com e diante dos homens, sem ter que descer as poças da terra. Gosto de piada, leio livros seculares, vou ao cinema, gosto de ópera e música clássica, sou fã de Star Wars entre outros filmes, vou a praia de sunga, já andei de montanha-russa e gostei, faço musculação, já dei susto na minha avó, já brinquei de polícia e ladrão, gosto de jogar WAR II, sou psicólogo de formação e minha esposa é advogada. Se com tudo isso eu for criticado por reprovar uma publicação ruim, seja no blog de quem for, e ser chamado de abutre encurvado, e sendo visto como alguém sem senso de humor, então eu não sei mais o que é ter bom humor e ser alegre e feliz em Cristo. E  pior de tudo: ao terminar de escrever estas linhas, eu me vejo implicado em tudo isso e me envergonho de tantas vezes ter, em ocasiões variadas, emprestado minha boca ao que não é de boa fama.


Que Deus nos ajude a viver a sua Palavra!

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