quinta-feira, 7 de julho de 2011

QUEM PRECISA DA APOLOGÉTICA CRISTÃ?

Por William L. Craig, doutor em Teologia pela Universidade de Munique
Traduzido por: Vitor Grando
Título Original: Quem Precisa de Apologética Cristã? – William L. Craig

Dr. William Lane Craig
William L. Craig é doutor em Teologia pela Universidade de Munique e em Filosofia pela Universidade de Birmingham. Craig é o maior apologista Cristão de nossos tempos. Hábil debatedor, ele já enfrentou grandes pensadores céticos como Antony Flew, Bart Ehrman, John D. Crossan nos campi de Universidades como Harvard, Oxford e Princeton debatendo tópicos como a existência de Deus e a historicidade da ressurreição de Cristo. É autor dos livros A Veracidade da Fé Cristã e Filosofia e Cosmovisão Cristã. Neste artigo sua argumentação é a respeito da necessidade e utilidade da apologética cristã. Através da sua própria experiência e da exposição de versículos Bíblicos ele nos mostra a importância da apologética para a saúde da Igreja, fortalecimento dos crentes e de uma maior influência da Igreja na cultura em que está inserida. Artigo importante tanto para os que duvidam do valor da apologética como para aqueles que já se utilizam dela na prática de evangelização e ensino. Três pequenos textos da autoria de Vitor Grando podem servir de introdução ao tema da apologética: 1) Amando a Deus de Todo o Entendimento; 2) Atos 17,18, 19 e a Necessidade de Líderes Intelectuais na Igreja; e 3) A Responsabilidade de Batalhar pela fé.
Tradução: Vitor Grando

Eu fico honrado pelo privilégio de ter sido convidado para apresentar a Conferência Stob deste ano. Há uma tentação de tentar justificar a seleção como um preletor Stob apresentando um par de palestras impressionantes e acadêmicas. Mas uma ligação do presidente Plantinga me esclareceu que esse não era o propósito nem a audiência dessas preleções. Eu pensei em falar sobre alguns pontos chaves da teologia filosófica Cristã. Mas o presidente Plantinga me encorajou a falar sobre a questão da apologética Cristã, um tópico aparentemente caro ao coração de Henry Stob, mas um tanto quanto negligenciado nos últimos anos. Ele me encorajou a refletir sobre minha experiência como apologista cristão e compartilhar alguns conselhos práticos sobre essa disciplina. Então é isso que eu decidi fazer.
Hoje nos faremos essa pergunta fundamental: Quem precisa de apologética Cristã?
Para começar, eu acredito que devemos distinguir entre a necessidade e a utilidade da apologética. A distinção é importante. Pois mesmo se a apologética for absolutamente desnecessária, não se segue que ela seja inútil. Por exemplo, não é necessário saber como digitar para se usar um computador – você pode “catar milho”, como eu faço – mas, todavia, a habilidade de digitar é muito útil para usar um computador. Ou novamente, não é necessário conservar sua bicicleta para ir pedalar, mas pode ser um beneficio real mantê-la em ordem. Da mesma forma, a apologética Cristã pode ser de grande utilidade mesmo se não for necessária para algum fim. Assim, em relação à apologética, precisamos nos perguntar não só “quem precisa?” mas também “para que que ela serve?”
Apologética cristã pode ser definida como um ramo da teologia Cristã que procura apresentar uma garantia racional das alegações de verdade do Cristianismo. Aqueles que fazem pouco caso da apologética tendem a mencionar o valor da apologética focando sobre sua alegada necessidade de fornecer garantia racional à crença Cristã. Alguns pensadores, particularmente da tradição Reformada Holandesa, vêem esse papel como desnecessário e algumas vezes até como um erro.
Agora, eu concordo plenamente com os epistemologistas Reformados contemporâneos como Alvin Plantinga que os argumentos e evidências apologéticas não são necessários para que a crença Cristã seja garantida para qualquer pessoa. A alegação dos racionalistas teológicos (ou evidencialistas, como eles erroneamente são chamados hoje) de que a fé Cristã é irracional na ausência de evidências positivas é difícil de ser conciliada com as Escrituras, que parecem ensinar que a fé em Cristo pode ser imediatamente fundamentada no testemunho interior do Espírito Santo (Rom. 8.14-16; 1 Jn. 2.27; 5.6-10), então os argumentos e evidências se tornam desnecessários. Em outro lugar, eu caracterizei o testemunho do Espírito Santo como auto-autenticado, e por essa noção eu quero dizer (1) que a experiência do Espírito Santo é verídica e inconfundível (apesar de não necessariamente ser irresistível ou indubitável) para quem a tem e que a observa; (2) que tal pessoa não precisa de argumentos ou evidências suplementares para saber e saber com confiança que ele está, de fato, experimentando o Espírito de Deus; (3) que tal experiência não funciona, nesse caso, como premissa de qualquer argumento de experiência religiosa com Deus, mas sim é a experiência imediata com o próprio Deus; (4) que em certos contextos a experiência com o Espírito Santo implica na compreensão de certas verdades da religião Cristã, tais como “Deus existe”, “Eu estou reconciliado com Deus”, “Cristo vive em mim”, e por aí vai; (5) que tal experiência provê não só segurança subjetiva da veracidade do Cristianismo, mas sim conhecimento objetivo dessa verdade.; e (6) que argumentos e evidências incompatíveis com essa verdade são subjugadas pela experiência com o Espírito Santo por quem o recebe.
Evidencialistas cristãos podem insistir que mesmo se a crença Cristã puder ser garantida na ausência de argumentos apologéticos positivos, ainda assim deve ter, no mínimo, recursos apologéticos defensivos para derrotar as várias objeções contra as quais é confrontada. Mas mesmo essa alegação mais modesta é precipitada, pois se o testemunho do Espírito Santo na vida de uma pessoa é suficientemente poderoso (como deve ser), então isso irá simplesmente se sobrepor à qualquer objeções dirigidas à crença Cristã, dessa forma removendo a necessidade de apologética defensiva. Um crente não instruído o suficiente para refutar argumentos anti-Cristãos está garantido em sua crença se baseando apenas no testemunho interno do Espírito mesmo quando confrontado com tais objeções não refutadas. Mesmo quando uma pessoa é confrontada com o que é, para ela, objeções irrespondíveis ao teísmo Cristão ela ainda assim, devido à obra do Espírito Santo, está dentro de seus direitos epistêmicos – digo mais, sob obrigação epistêmica – de crer em Deus. Visto que crenças pautadas no testemunho objetivo e verídico do Espírito são parte das invalidadas considerações da razão, a fé do crente é garantida mesmo se não tiver nenhuma noção de argumentos apologéticos (como é o caso da maioria dos Cristãos hoje e da história da Igreja)
Por contraste, o evidencialista Cristão encara duras dificuldades: (1) Ele negaria o direito à fé Cristã à todos aqueles que carecem da habilidade, do tempo, ou da oportunidade de entender e avaliar argumentos e evidências. Essa consequência iria, indubitavelmente, entregar milhões de pessoas que são Cristãs à descrença. (2) Àqueles que foram apresentados mais argumentos convincentes contra o teísmo Cristão teriam uma desculpa justa perante Deus para sua descrença. Mas as Escrituras dizem que todos os homens não tem desculpa para não responder à revelação que possuem (Rm 1.21). (3) Essa visão cria um tipo de elite intelectual, um sacerdócio de filósofos e historiadores, que iriam ditar às massas da humanidade se é ou não racional acreditar no Evangelho. Mas certamente a fé está disponível para todos aqueles que, respondendo à ação do Espírito, clamam pelo nome do Senhor. (4) A fé fica sujeita às excentricidades da razão humana e das areias movediças das evidências, tornando a fé Cristã racional em uma geração e irracional na próxima. Mas o testemunho do Espírito torna toda geração contemporânea de Cristo e assim assegura uma base sólida para a fé.
Então eu, na verdade, não penso que a apologética é necessária para que a fé cristã seja garantida. Mas não se segue daí que a apologética Cristã seja, portanto, inútil ou não tenha nenhum beneficio em garantir a fé Cristã. Se os argumentos da teologia natural e das evidências Cristãs são bem sucedidos, então a crença Cristã é garantida por tais argumentos e evidências para a pessoa que os compreende, mesmo que ainda assim essa pessoa estivesse garantida na ausência de tais argumentos. Tal pessoa é duplamente garantida em sua crença Cristã, já que ela usufrui de duas fontes de garantia racional.
Pode-se pressentir os grandes benefícios de ter essa dupla garantia racional para as crenças Cristãs. Ter argumentos persuasivos para a existência de um Criador e Projetista do universo ou evidências para a credibilidade histórica dos relatos do Novo Testamento sobre a vida de Jesus aliado ao testemunho interno do Espírito pode aumentar a confiança na veracidade das alegações de verdade do Cristianismo. No modelo epistemológico de Plantinga, no mínimo, teríamos uma garantia racional ainda maior para crer em tais alegações. Maior garantia racional pode fazer um descrente abraçar a fé mais prontamente ou inspirar um crente a compartilhar a sua fé com mais confiança. Além do mais, a disponibilidade de garantia racional para a veracidade das alegações de verdade do Cristianismo independente do testemunho do Espírito pode ajudar a predispor um descrente a responder à ação do Espírito quando ouvir o Evangelho e pode prover ao crente um suporte epistêmico em tempos de deserto espiritual ou de dúvida quando o testemunho do Espírito parece obscurecido. Pode-se imaginar inúmeras outras formas onde a posse de dupla garantia racional para as alegações do Cristianismo poderia ser benéfica.
Então, a pergunta é: a teologia natural e as evidências Cristãs garantem a crença Cristã? Eu acredito que sim. Nos meus trabalhos públicos eu tenho formulado e defendido versões dos argumentos cosmológico, teleológico e ontológico para a existência de Deus e também tenho defendido o teísmo contra as mais proeminentes objeções à crença em Deus apresentadas por pensadores ateístas, tais como o problema do mal, o ocultamento de Deus, e a coerência do teísmo. Além do mais, tenho argumentado a favor da autenticidade das radicais alegações pessoais de Jesus e a historicidade do túmulo vazio, suas aparições post-mortem à vários indivíduos e grupos, e a inesperada crença dos primeiros discípulos de que Deus o havia feito ressurgir dos mortos. Além do mais, eu tenho argumentado, que a melhor explicação para esses fatos é a explicação dada pelos próprios discípulos: Deus fez Jesus ressurgir dos mortos.
Se esses argumentos estão corretos, então a crença no teísmo Cristão é garantida pela teologia natural e pelas evidências Cristãs como também pelo testemunho interno do Espírito Santo. Dessa forma, enquanto os argumentos apologéticos não são necessários para que saibamos que o Cristianismo é verdadeiro, ainda assim eles são suficientes, e essa dupla garantia racional para as crenças Cristãs pode ser de grande ajuda. Assim, o sucesso da Epistemologia Reformada e a falha do racionalismo teológico de nenhuma forma implicam que a apologética é inútil ou não é importante.
Mais do que isso: mesmo se a apologética Cristã não for necessária em relação à garantia racional da crença Cristã, a apologética Cristã pode ser útil e mesmo necessária para muitos outros fins. Permitam-me mencionar três fins em relação aos quais a apologética Cristã desempenha um papel vital na sua realização.
1. Transformação da cultura. A apologética é útil e pode ser necessária para que o Evangelho seja efetivamente ouvido na sociedade Ocidental hoje. De um modo geral, a cultura Ocidental é profundamente pós-Cristã. Isso é produto do Iluminismo, que introduziu na cultura Europeia o fermento do secularismo que já impregnou toda a sociedade Ocidental. O marco do Iluminismo era o “livre-pensar”, isto é, a busca de conhecimento pela razão humana somente e sem restrições. Apesar disso não levar necessariamente à conclusões não-Cristãs e apesar de que a maioria dos pensadores Iluministas eram teístas, foi esse o profundo impacto da mentalidade Iluminista que fez com que os intelectuais Ocidentais não mais considerem o conhecimento teológico possível. Teologia não é fonte de conhecimento genuíno e, portanto, não é ciência. Razão e religião são, portanto, contrários entre si. Somente as opiniões das ciências físicas são tidas como guias autoritativos para o nosso entendimento do mundo, e a confiante suposição é que a imagem de mundo que emerge das ciências genuínas é uma imagem completamente naturalista. A pessoa que segue a busca da razão sem retroceder acaba por se tornar ateu ou, no máximo, agnóstico.
Por que essas considerações culturais são importantes? Simplesmente porque o Evangelho nunca é ouvido no isolamento. É sempre ouvido no contexto cultural no qual vivemos. Uma pessoa que cresce num contexto cultural onde o Cristianismo ainda é visto como uma opção intelectualmente viável demonstrará uma abertura ao Evangelho muito maior do que uma pessoa que vive num ambiente secularizado. Pois para uma pessoa secularizada, acreditar em fadas e duendes é o mesmo do que acreditar em Jesus Cristo! Ou, para dar uma ilustração mais realista, é como se fossemos abordados nas ruas por um devoto de Hare Krishna que nos convida a crer em Krishna. Para nós tal convite soará bizarro, estranho e até engraçado. Mas para uma pessoa nas ruas de Bombaim, tal convite seria, eu presumo, causa de reflexão séria e razoável. Eu temo que os evangélicos pareçam tão estranhos para as pessoas nas ruas de Bonn, Estocolmo ou Paris como os devotos de Krishna.
O que nos espera na América do Norte, se a secularização continuar da forma que está, já é evidente na Europa. Apesar de que a maioria dos Europeus permanece afiliado nominalmente ao Cristianismo, somente 10% são praticantes, e menos da metade desses são teologicamente evangélicos. A tendência mais significante na afiliação religiosa Europeia é o crescimento daqueles que se denominam como “não-religiosos” que foram de 0% da população em 1900 para mais de 22% hoje. Como resultado, a evangelização é imensuravelmente muito mais difícil na Europa do que nos Estados Unidos. Tendo vivido na Europa por treze anos, onde eu falei e evangelizei nos campus de várias universidades por todo o continente, eu posso testemunhar pessoalmente quão difícil a situação é. É difícil para o evangelho sequer ser ouvido. Por exemplo, eu lembro claramente quando eu falei na Universidade do Porto, em Portugal, que os estudantes eram tão incrédulos em relação ao perfil de um intelectual Cristão com doutorados de duas universidades Europeias que eles suspeitaram que eu era um impostor. Ele chegaram a telefonar para a Universidade de Louvain na Bélgica, onde eu era um pesquisador visitante, para confirmar minha filiação à Universidade!
Os Estados Unidos estão seguindo o mesmo caminho, estando o Canadá mais a frente. A imersão do Canadá no secularismo tem sido precipitada. Em 1900 os evangélicos representavam 25% da população Canadense. Em 1989 os evangélicos canadenses desceram para menos de 8% da população. Minha experiência em falar em campus de Universidades do Canadá sugere que o Canadá incorpora um tipo de cultura meio-Atlântica mais próxima do secularismo Europeu do que o seu vizinho do sul. Pluralismo e relativismo são a sabedoria convencional das Universidades Canadenses. O politicamente correto e as leis que restringem a expressão nos debates de importância ética servem como armas para oprimir instituições e idéias Cristãs. A imersão do Canadá no secularismo ilustra o quão importante é manter o contexto cultural simpático ao Cristianismo para a efetividade da evangelização. Felizmente, durante a última década os evangélicos Canadenses começaram a inverter essa tendência. Mas o retrocesso vai ser muito mais difícil do que o avanço porque isso está na espinha de uma cultura que se tornou oposta à cosmovisão Cristã.
É por essa razão que os Cristãos que desprezam o valor da apologética pelo fato de “ninguém vir a Cristo através de argumentos intelectuais” tem a visão tão limitada. Pois o valor da apologética vai muito mais além do que o contato evangelístico imediato. A tarefa mais ampla da apologética Cristã é ajudar a criar e sustentar um contexto cultural no qual o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para homens e mulheres pensantes. No seu artigo “Christianity and Culture” (Cristianismo e Cultura) o grande teólogo de Princeton, J. Greshan Machen afirmou corretamente,
Idéias falsas são o maior obstáculo à aceitação do evangelho. Podemos pregar com todo o fervor de um reformador e ainda assim só conseguir ganhar uma alma aqui e ali se permitirmos que todo o pensamento coletivo da nação seja controlado por idéias que impedem que o Cristianismo seja visto como nada mais do que uma ilusão inofensiva.
Infelizmente, o alerta de Machen permaneceu sem ser ouvido, e o Cristianismo Bíblico se restringiu intelectualmente ao isolamento cultural, do qual só começou a sair recentemente.
Agora, grandes oportunidades estão à nossa frente. Vivemos num tempo onde a filosofia Cristã está experimentando um renascimento genuíno, revitalizando a teologia natural, numa época em que a ciência está mais aberta à existência transcendental de um Criador e Projetista do cosmos mais do que em qualquer tempo recente, e numa época em que a crítica bíblica tem renovado a busca pelo Jesus Histórico tratando os Evangelhos seriamente como fontes históricas da vida de Jesus e confirmado as principais características do Jesus retratado nos Evangelhos. Estamos intelectualmente equilibrados para ajudar a reformular nossa cultura de tal forma à reconquistar o fundamento perdido, para que o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável para pessoas pensantes.
Agora eu posso imaginar alguns de vocês pensando, “Mas nós não vivemos uma cultura pós-moderna na qual esses apelos à apologética tradicional não são mais eficazes? Visto que os pós-modernos rejeitam os cânons tradicionais da lógica, da racionalidade, da verdade, argumentos racionais a favor da veracidade do Cristianismo não funcionam mais. Ao invés disso, na cultura de hoje deveríamos simplesmente compartilhar nosso testemunho e convidar as pessoas à participar conosco.”
Na minha opinião esse tipo de pensamento não poderia ser mais equivocado. A idéia de que vivemos numa cultura pós-moderna é um mito. Na verdade, uma cultura pós-moderna é uma impossibilidade; seria algo completamente impossível de se viver. Ninguém é um pós-moderno quando o assunto é a leitura de uma bula de remédio em contraste com uma caixa de veneno de rato! É melhor você acreditar que esses textos tem um sentido objetivo! As pessoas não são relativistas quando o assunto é ciência, engenharia e tecnologia; mas elas são relativistas e pluralistas em questões de religião e ética. Mas, veja, isso não é pós-modernismo; isso é modernismo! É como o antigo Positivismo e o Verificacionismo, que afirmam que qualquer coisa que você não possa provar com os cinco sentido é uma simples questão de gosto pessoal e expressão emocional. Vivemos num contexto cultural que continua profundamente modernista.
De fato, eu penso que o pós-modernismo é um dos mais articulados enganos criados por Satanás. “Modernismo está morto”, ele nos diz, “Você não deve mais temê-lo. Esqueça-o; está morto e sepultado”. Enquanto isso o modernismo, se fingindo de morto, ressurge travestido de pós-modernismo, se mascarando como um novo desafiador. “Seus velhos argumentos e apologética não são mais eficazes contra esse novo advento”, nos é dito. “Deixe-os de lado; eles não têm nenhum uso. Apenas compartilhe seu testemunho.” De fato, alguns, cansados de longas batalhas com o modernismo, recebem com alivio a chegada do novo visitante. E, assim, Satanás nos engana e faz com que deixemos a lógica e as evidências, que são nossas melhores armas, de lado, e assim o modernismo triunfa sobre nós. Se adotarmos essa atitude suicida, as consequências para a Igreja na próxima geração serão catastróficas. O Cristianismo será reduzido a uma simples voz numa cacofonia de vozes que competem entre si, cada uma compartilhando seu testemunho e nenhuma afirmando para si a verdade objetiva sobre a realidade, enquanto o naturalismo científico molda a visão da nossa cultura em relação ao mundo como ele é.
Agora, é claro, não é preciso dizer que ao fazer apologética nós temos que ser relacionais, humildes e atrativos; mas isso de maneira alguma é um insight do pós-modernismo. Desde o ínicio os apologistas Cristãos sabiam que deveríamos apresentar a razão da esperança que há em nós com “mansidão e respeito” (1 Pe 3.15). Ninguém precisa abandonar os cânons da lógica, da racionalidade e da verdade para exemplificar essas virtudes bíblicas.
E quanto a idéia de que as pessoas na nossa cultura não estão mais interessadas nem mais respondem à argumentação e às evidências racionais para o Cristianismo, nada poderia estar mais distante da verdade. Se me permitem falar sobre minhas experiências pessoais, por mais de vinte anos eu tenho falado e evangelizado em campus de universidades da América do Norte e da Europa, compartilhando o Evangelho num contexto onde eu defendo intelectualmente as alegações de verdade Cristãs. Eu sempre termino minhas preleções com uma sessão de perguntas e respostas. Durante todos esses anos ninguém jamais se levantou e disse algo como, “Seu argumento é baseado nos padrões Ocidentais e chauvinistas de lógica e racionalidade” ou expressado algum outro sentimento pós-moderno. Isso jamais acontece. Se você aborda as questões no nível racional, as pessoas também respondem no nível racional. Se você apresenta evidências cientifícas e históricas para as alegações de verdade Cristãs, os estudantes descrentes podem argumentar com você sobre fatos – que é exatamente o que você quer -, mas eles não atacam a objetividade da ciência ou da história. Se você apresenta uma argumento dedutivo para uma alegação de verdade Cristã, os estudantes descrentes podem levantar objeções às suas premissas ou à conclusão – o que é, novamente, exatamente como uma discussão deve proceder -, mas eles não discutem o seu uso da lógica.
Agora, eu encontro estudantes que suspeitam de um preletor Cristão. Por isso eles gostam de ouvir ambos os lados quando uma questão é apresentada. Por essa razão os debates são algo bastante atrativo para a evangelização universitária. Eu competi por oito anos em debates de colégio, debatendo tópicos sobre política pública como o programa de assistência militar, controle de salários e preços, e por aí vai. Eu nunca sonhei que o debate se tornaria uma atividade ministerial. Mas logo após terminar meu doutorado em teologia, eu comecei a receber convites de grupos de estudantes Cristãos do Canadá para debater tópicos como “Deus existe?”, “Jesus ressuscitou dos mortos?”, “Humanismo vs. Cristianismo”, e por aí vai. E o que eu tenho visto é que enquanto alguns poucos ou talvez até uns duzentos vem me ouvir dar uma preleção num campus, centenas e até milhares vêm ouvir um debate onde podem ouvir ambos os lados. Por exemplo, 2.200 estudantes da UC Riverside ouviram ao meu debate com Greg Cavin sobre a ressurreição de Jesus. Na Universidade de Wisconsin em Madison 4.000 estudantes ouviram – na noite de um jogo de basquete! – meu debate com Antony Flew sobre a existência de Deus. Agora pouco em Fevereiro 3.000 estudantes da Universidade de Iowa enfrentaram uma nevasca de sete polegadas [polegada = 2,54 cm] de neve para ouvir o meu debate com um professor local de Ciências da Religião conhecido pela sua aversão ao Cristianismo. Mais tarde na primavera deste ano 3.000 estudantes na Purdue University ouviram meu debate com o jovem filósofo humanista Austin Dacey sobre a questão “Deus existe?” A abordagem em todos esses debates é a abordagem da argumentação racional e das evidências. Há um tremendo interesse entre estudantes em ouvir uma discussão balanceada das razões a favor e contra à crença Cristã.
Então, não se engane pensando que as pessoas na nossa cultura não estão mais interessadas nas evidências à favor do Cristianismo. O oposto é o verdadeiro. É de uma importância vital preservarmos uma cultura na qual o Evangelho é ouvido como uma opção viva para pessoas pensantes, e a apologética será a dianteira e o centro ajudando a trazer esse resultado.
2. Fortalecer os crentes. Não só a apologética é vital para a transformação da cultura, mas ela também exerce um papel vital na vida individual das pessoas. Um desses papéis é fortalecer os crentes.
Jan e eu passamos o verão de 1982 vivendo num apartamento em Berlin, me preparando para o meu exame oral em teologia na Universidade de Munique. Eu vinha me preparando por mais de um ano para esses exames críticos, e eu tinha uma pilha de notas de quase um pé de altura que eu tinha memorizado praticamente toda e revisado diariamente nos dias anteriores ao exame. Durante nosso tempo lá, nós tivemos o prazer de receber Ann Kiemel e seu marido Will enquanto eles passaram por Berlin. Ann era a preletora cristã mais popular da América. Ela era única, ela falava para individuos totalmente estranhos e os encorajava cantando algumas canções improvisadas e compartilhando sua fé. Ela era extremamente sentimental e emocional. Ela contava histórias – algumas fictícias, algumas verdadeiras – que fazem toda a audiência derramar lágrimas em minutos.
Bem, enquanto estávamos conversando um dia, eu pensei que poderia aprender algumas lições pela sua experiência. “Ann”, eu perguntei, “Como você se prepara para suas mensagens?”
“Ah, eu não me preparo”, ela disse.
Eu fiquei totalmente chocado. “Você não se prepara?” eu disse.
“Não”, ela respondeu.
Eu fiquei totalmente desconcertado. “Bem, então, o que você faz?” perguntei.
“Ah, eu só compartilho minhas lutas.”
Eu não podia acreditar. Eu estava me matando em anos de preparação para o ministério – e ela não se preparava! E não havia a menor dúvida quanto à sua eficácia. Ela alcançada milhares de pessoas com o Evangelho. Ela contava histórias de como acadêmicos cabeça-dura se desmanchavam pelas suas canções e histórias e vinham à Cristo. Eu pensei, “Porque eu estou fazendo tudo isso enquanto tudo que você precisa fazer é compartilhar suas lutas?”
Nós retornamos para os Estados Unidos naquele outono para fazer um sabático na Universidade de Arizona em Tucson, onde um ex-colega de classe vivia. Eu comparilhei com ele a minha conversa com Ann e disse como isso havia me transtornado. Ele disse algo pra mim que foi bastante confirmador. Ele me disse, “Bill, um dia essas pessoas que a Ann Kiemel trouxe ao Senhor vão precisar do que você tem para oferecer.”
Ele estava certo. Emoções te levam apenas a um certo ponto, e aí você precisará de algo mais substancial. A apologética provê essa sustância. Ao falar em Igrejas ao redor do país, eu frequentemente encontro pais que se aproximam de mim após o culto e dizem algo como “se você estivesse aqui há dois ou três anos atrás! Nosso filho (ou filha) tinha perguntas sobre a fé que ninguém conseguia responder, e agora ele perdeu a fé e se afastou do Senhor.”
Arrebenta meu coração encontrar pais assim. Ao viajar, eu também tenho encontrado outras pessoas que me disseram como elas deixaram de apostatar por ter lido um livro apologético ou visto o vídeo de um debate. No caso delas a apologética foi um meio através do qual Deus as fez perseverar na fé. Agora, é claro, a apologética não pode garantir a perseverança, mas pode ajudar e em alguns casos, pela providência de Deus, ser até necessária. Recentemente eu tive o privilégio de falar na Universidade de Princeton sobre argumentos para a existência de Deus, e após minha preleção eu fui abordado por um jovem que queria falar comigo. Claramente segurando as lágrimas, ele me disse que há poucos anos atrás ele vinha lutando com dúvidas e estava prestes a abandonar sua fé. Alguém lhe deu um vídeo de um dos meus debates. Ele disse “Isso me salvou de perder a fé. Eu não posso te agradecer o bastante.”
Eu disse, “Foi o Senhor que te salvou de cair.”
“Sim”, ele respondeu, “mas Ele te usou. Eu não posso te agradecer o bastante”. Eu lhe disse o quão emocionado eu estava por ele e lhe perguntei sobre seus planos futuros. “Eu estou me graduando esse ano”, ele me disse, “e eu planejo ir para o seminário. Eu vou ser pastor.” Glória a Deus pela vitória na vida desse homem!
Outros estudantes que eu encontrei em Princeton estavam inscritos numa aula dada pela crítica do Novo Testamento Elaine Pagels que eles apelidaram de “aula caça-fantasmas” devido ao efeito destrutivo à fé de muitos estudantes Cristãos. Eles não tinham noção de como a visão da Prof. Pagels sobre os evangelhos gnósticos estava fora de contexto com o academicismo proeminente. Foi um privilégio compartilhar com eles as bases para a credibilidade do testemunho sobre Jesus dado pelo Novo Testamento sobre Jesus.
A experiência deles não é incomum. No colégio e na faculdade os jovens cristãos são intelectualmente agredidos com todo tipo de cosmovisão não-Cristã aliada a um enorme relativismo. Se os pais não estão intelectualmente engajados com sua fé e não tem bons argumentos a favor do teísmo Cristão e boas respostas para as perguntas de seus filhos, então estamos num verdadeiro perigo de perder nossa juventude. Não basta ensinar nossas crianças histórias simples da bíblia; eles precisam de doutrina e apologética. É difícil entender como as pessoas hoje podem ser pais sem ter estudado apologética.
Infelizmente, nossas igrejas jogaram a toalha nessa área. Não é suficiente focar em entretenimento e pensamentos devocionais bobos nos grupos de jovens e escolas bíblicas. Temos que treinar nossos filhos para a guerra. Não podemos enviá-los para o ensino médio e para a universidade armados de espadas de borracha e armaduras de plástico. O tempo de brincar já passou.
Mas a apologética Cristã faz muito mais do que salvaguardar de lapsos. Os efeitos positivos e edificantes do treinamento apologético é ainda mais evidente. Eu vejo isso toda hora nos campus de universidades onde eu debato. John Stackhouse uma vez comentou para mim que esses debates são uma versão Ocidentalizada do que os missionários chamam de “encontro de poderes” . Eu acredito que isso seja uma análise perceptiva. Os estudantes cristãos saem desses encontros com uma confiança renovada em sua fé, de cabeça erguida, orgulhosos de serem Cristãos, e confiantes ao falar de Cristo no campus. Algumas vezes após um debate os estudantes dizem, “Eu não posso esperar para compartilhar minha fé em Cristo!”
Muitos Cristãos não compartilham sua fé com os descrentes simplesmente por causa do medo. Eles têm medo de que os não-Cristãos lhe façam uma pergunta ou levante uma objeção que eles não saibam responder. E então eles escolhem ficar em silêncio e assim escondem sua luz sob o alqueire, desobedecendo o mandamento de Cristo. O treinamento apologético é um grande impulso ao evangelismo, pois nada inspira mais confiança e coragem do que saber que se tem boas razões para acreditar no que se acredita e boas respostas para as perguntas e objeções comuns que podem ser levantadas. Bom treinamento em apologética é uma das chaves para um evangelismo sem medo.
Dessa e de muitas outras maneiras a apologética ajuda a edificar o corpo de Cristo fortalecendo individualmente os crentes.
3. Evangelizar os descrentes. Poucas pessoas discordariam de mim quando digo que a apologética fortalece a fé dos Cristãos. Mas muitos diriam que a apologética não é muito útil na evangelização. “Ninguém vem a Cristo através de argumentos”, lhe dirão. (Eu não sei quantas vezes já ouvi isso.)
Essa atitude negativa em relação ao papel da apologética na evangelização certamente não é a visão bíblica. Ao lermos os Atos dos Apóstolos, é evidente que era a atitude padrão dos apóstolos argumentar a favor da veracidade da visão Cristã, tanto com Judeus quanto com pagãos. (ex., At 17:2-3, 17; 19:8; 28:23-24). Ao lidar com a audiência Judaica, os apóstolos apelaram para o cumprimento de profecias, os milagres de Jesus, e especialmente a ressurreiçao como evidência de que ele era o Messias (At 2:22-32). Quando eles confrontaram as audiências gentias que não aceitavam o Antigo Testamento, os apóstolos apelaram para a obra de Deus na natureza como evidência da existência do Criador (At 14:17). Depois apelaram para as testemunhas oculares da ressurreição de Jesus para mostrar especificamente que Deus se revelou em Jesus Cristo (At 17:3031; 1 Cor. 15:3-8).
Francamente, eu acredito que aqueles que vêem a apologética como fútil na evangelização simplesmente não evangelizam muito. Eu suspeito que eles tenham tentado usar argumentos apologéticos em alguma ocasião e o descrente continuou sem ser convencido. E por isso eles tiraram a conclusão de que a apologética não é eficaz na evangelização.
Por um lado essas pessoas são vítimas de uma falsa expectativa. Quando você observa que somente uma minoria das pessoas que ouvem o Evangelho o aceitam e que só uma minoria desses que aceitam o fazem por razões intelectuais, não deveríamos nos surpreender que o número de pessoas com as quais a apologética é eficaz é relativamente baixo. Mas pela própria natureza da questão, devemos esperar que a maioria dos descrentes permaneçam não convencidos pelos nossos argumentos apologéticos, assim como a maioria permanece imóvel à pregação da cruz.
Bem, então, porque se preocupar com a minoria da minoria com a qual a apologética é eficaz? Primeiro, por que toda pessoa é preciosa para Deus, uma pessoa pela qual Cristo morreu. Como um missionário chamado para alcançar um grupo obscuro, o apologista Cristão é chamado para alcançar a minoria das pessoas que responderão à argumentação e evidência racional.
Mas, segundo – e aqui o caso difere significantemente do caso do grupo de pessoas obscuras -, esse grupo de pessoas, apesar de relativamente pequeno em números, é grande em influência. Uma dessas pessoas, por exemplo, foi C.S. Lewis. Pense no impacto que a conversão de um homem continua a ter! Eu acho que as pessoas que mais se entusiasmam com meu trabalho apologético tendem a ser engenheiros, pessoas da área de medicina, e advogados. Tais pessoas estão entre os mais influentes formadores de opinião hoje. Então alcançar esse minoria de pessoas gerará uma grande colheita para o Reino de Deus.
De qualquer forma a conclusão geral de que a apologética é ineficaz na evangelização é precipitada. Lee Strobel recentemente me disse que perdeu a conta do número de pessoas que vieram a Cristo através de seus livros Em Defesa de Cristo e Em Defesa da Fé. Na minha experiência pessoal tenho experimentado a eficácia da apologética na evangelização. Estamos continuamente animados em ver pessoas comprometendo suas vidas à Cristo através de apresentações apologéticas do Evangelho. Após uma conversa sobre os argumentos a favor da existência de Deus ou sobre as evidências para a ressurreição de Jesus ou uma defesa do particularismo Cristão, eu frequentemente concluo com uma oração de aceitação à Cristo, e os cartões de comentário indicam aqueles que registraram tal compromisso. Essa última primavera eu fiz uma turnê pelas Universidades de Illinois, e nós ficamos muito animados ao ver que após praticamente toda apresentação, os estudantes fizeram decisões por Cristo. Eu cheguei a ver estudantes virem a Cristo através de uma defesa do argumento cosmológico kalam!
Uma das mais emocionantes foi o caso de Eva Dresher, uma física polonesa que eu encontrei na Alemanha logo após completar meu doutorado em filosofia. Enquanto eu e Jan conversavamos com Eva, ela mencionou que a física havia destruído sua crença em Deus e que a vida tinha se tornado sem sentido para ela. “Quanto eu olho para o universo tudo que eu vejo é escuridão”, ela explicou, “e quando eu olho para mim mesmo tudo que eu vejo é sombrio”. (Que dolorosa declaração do predicamento moderno!) Bem, nesse momento Jan se voluntariou, “Ah, você deveria ler a dissertação do doutorado do Bill! Ele usa a física para provar que Deus existe.” Então lhe emprestamos minha dissertação sobre o argumento cosmológico para ela ler. Ao longo dos dias, ela se tornava cada dia mais animada. Quando ela chegou na seção sobre astronomia e astrofísica, ela estava muito alegre e orgulhosa. “Eu conheço esses cientistas que você está citanto!” ela exclamou maravilhada. Quando ela chegou ao final, sua fé havia sido restaurada. “Obrigado por me ajudar a crer que Deus existe”, ela disse.
Nós respondemos, “Você gostaria de conhecê-lO de uma maneira pessoal?” Então marcamos um horário para encontrá-la naquela noite num restaurante. Enquanto isso preparamos de memória as Quatro Leis Espirituais. Depois do jantar nós abrimos o livreto e começamos, “Assim como existem leis físicas que governam o universo físico, assim também existem leis espirituais que governam nosso relacionamento com Deus…”
“Ah, leis físicas! leis Espirituais!” ela exclamou. “Isso é exatamente para mim!” Quando chegamos aos círculos no final que representam duas vidas e lhe perguntamos qual círculo representava sua vida, ela colocou sua mão sobre os círculos e disse, “Ah, isso é tão pessoal! Eu não posso responder agora.” Então nós lhe encorajamos a levar o livreto para casa e entregar sua vida à Cristo.
Quando nós a vimos no dia seguinte, sua face estava radiante de alegria. Ela nos disse que havia ido para casa e na privacidade do seu quarto orou para receber à Cristo. Então ela jogou no vaso todo o vinho e os tranquilizantes que ela vinha usando. Ela era uma pessoa verdadeiramente transformada. Nós lhe damos uma Bíblia Good News [Boas Novas] e lhe explicamos a importância de manter uma vida devocional com Deus. Nossos caminhos se distanciaram por muitos meses. Mas quando nós a vimos novamente ela ainda estava entusiasmada com sua fé, e ela nos disse que sua posses mais preciosas eram a Bíblia Good News e seu livreto das Quatro Leis Espirituais. Isso foi uma das mais vívidas ilustrações que eu vi de como o Espírito Santo pode usar argumentos e evidências para levar as pessoas a um conhecimento salvifíco de Deus.
Tem sido emocionante, também, ouvir histórias de como as pessoas tem vindo à Cristo através da leitura de algo que eu escrevi. Por exemplo, quando eu estava falando em Moscou, alguns anos atrás, eu encontrei um homem de Minsk em Belarus. Ele me disse que logo após a queda do comunismo ele havia ouvido alguém lendo em Russo meu livro The Existence of God and the Beginning of the Universe [A Existência de Deus e o Ínicio do Universo] pelo rádio em Minsk. No final da transmissão ele havia sido convencido de que Deus existia e entregou sua vida à Cristo. Ele me disse que hoje ele serve ao Senhor numa Igreja Batista em Minsk. Glória a Deus! Mais cedo nesse ano na Universidade do Texas, eu encontrei uma mulher que estava participando de minhas preleções. Ela me disse chorando que por 27 anos ela havia estado longe de Deus e se sentido desesperançada e sem sentido. Pesquisando numa livraria ela achou meu livro Will the Real Jesus Please Stand Up? [O Verdadeiro Jesus, por favor, levante-se], que contem meu debate com John Dominic Crossan, co-presidente do radical Seminário Jesus, e comprou uma cópia. Ela disse que enquanto lia, ela ia se abrindo à Cristo, até que finalmente entregou sua vida à Ele. Quando eu perguntei o que ela fazia, ela disse que era psicóloga e trabalhava numa prisão feminina do Texas. Pense na influência Cristã que ela pode ter num ambiente tão desesperançoso!
Se eu puder, quero contar uma última história. Nos últimos anos eu tive o privilégio de me envolver em debates com apologistas muçulmanos em vários campus no Canadá e Estados Unidos. Esse verão, numa manhã de Sábado, eu recebi uma ligação. A voz do outro lado da linha anunciou, “Olá! Aqui é Sayd al-Islam ligando de Omã!” aí eu pensei, “ah, não! Eles me encontraram!” Ele continuou e explicou que ele havia perdido sua fé Muçulmana secretamente e havia se tornado ateu. Mas agora lendo vários livros apologéticos Cristãos, que ele havia comprado na Amazon.com, ele passou a crer em Deus e estava prestes a se comprometer com Cristo. Ele estava impressionado com as evidências para a ressurreição de Jesus e havia me ligado por que ainda tinha muitas perguntas que precisavam ser respondidas. Nós conversamos por uma hora, e eu senti que no seu coração ele já cria em Cristo; mas ele queria ser cauteloso e ter certeza que tinha as evidências certas antes de dar o passo conscientemente. Ele me explicou, “Você entende que eu não posso lhe dizer meu verdadeiro nome. No meu país eu tenho que levar um tipo de vida dupla por que senão eu sou morto.” Eu orei com ele para que Deus continuasse a guiá-lo em direção à verdade, e então nos despedimos. Você pode imaginar quão grato à Deus meu coração ficou por Ele ter usado esses livros – e a internet! – na vida desse homem! Histórias como essa são inúmeras e, é claro, nunca ouvimos todas elas.
Então aqueles que dizem que a apologética não é eficaz com os descrentes falam a partir de sua experiência limitada. Quando a apologética é persuasivamente apresentada e combinada sensivelmente com uma apresentação do Evangelho e um testemunho pessoal, o Espírito de Deus usa isso para trazer certas pessoas para Si. A apologética é necessária nesses casos? Essas pessoas teriam vindo à Cristo de qualquer forma, mesmo se não tivessem ouvido os argumentos? Acredito que temos que dizer, “Só Deus Sabe!” No mínimo, Ele sabe se Ele tem conhecimento-médio, certo? Podemos não saber o valor de verdade de tais contrafatuais da liberdade; mas nós podemos saber e sabemos por experiência que Deus usa a apologética na evangelização para trazer os perdidos à Ele.
Concluindo, a apologética Cristã é uma parte vital do currículo teológico. Apesar de não ser necessária para garantir a crença Cristã, ela é, eu acredito, todavia suficiente para garantir a crença Cristã e, portanto, de grande benefício. A apologética executa um papel vital, e talvez crucial, na transformação da cultura, no fortalecimento dos crentes, e na evangelização dos descrentes. Por todas essas razões, eu estou não-apologeticamente entusiasmado com a apologética Cristã.
Notas:
1 Eu acho que epistemologistas Reformados como Alvin Plantinga puderam oferecer um modelo epistemológico, no qual, se o teísmo Cristão for verdadeiro, mostra que a crença Cristã pode ser garantida na ausência de argumentos apologéticos. Eu devo apenas ajustar esse modelo para os propósitos da teologia Cristã eliminando o tão chamado sensus divinitatis, que não encontra nenhuma base nas Escrituras, em favor do testimonium Spiritu Sancti internum, ou o testemunho interno do Espírito Santo, que é atestado nas Escrituras. Além do mais, ao invés de tomar o testemunho do Espírito como um processo formador de crença análogo a uma faculdade cognitiva (um constructo que torna difícil assegurar que é literalmente verdade que “eu creio em Deus,” visto que a faculdade ou processo não é meu), eu devo entender o testemunho do Espírito como um forma de testemunho produzido pelo Espírito de Deus em mim ou como parte das circunstâncias que fundamentam a crença que eu formo em Deus e nas grandes verdades do Evangelho.
2. Alguns Epistemologistas Reformados, apesar de endossarem os argumentos da teologia natural, todavia, expressam ceticismo em relação aos prospectos da apologética histórica porque quando é adicionado mais especificidade a uma hipótese, a probabilidade dessa hipótese diminui rapidamente. Tal objeção é, entretanto, duplamente equivocada. Primeiro, as probabilidades não precisam diminuir e podem, na verdade, aumentar ao se acrescentar progressivamente evidências especificas para a informação prévia de alguém pelo refinamento das hipóteses. O erro da objeção é que esta afirma que a base evidencialista é constante enquanto adiciona hipóteses adicionais, ao invés de aumentar as evidências ao falarmos de crenças Cristãs especifícas. Segundo, de qualquer forma os historiadores não avaliam hipóteses históricas através de cálculos probabilísticos. Ao invés, eles usam como critério de avaliação a extensão explanatória, o poder explanatório, o grau de ad hoc, e por aí vai. Esse é o meio pelo qual eu argumento a favor da hipótese da Ressurreição.

Artigo Publicado em 17 de novembro de 2008, no Blog Apologia.com.br , e extraído em 07 de julho de 2011.

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