quinta-feira, 3 de junho de 2010

EU NÃO SABIA QUE PARA AMAR TEM QUE PASSAR A MÃO NA CABEÇA DE CABRITOS E TOLERAR HEREGES

Por Demetrius Farias
Esta semana eu estava navegando pela Internet, coletando notícias para me atualizar e ler os blogs e sites que costumeiramente acompanho, e me deparei com um blog "Gospel" com uma mensagem bastante "piedosa", mas de conteúdo prático muito pouco razoável e bíblico.
Em nome do Amor Cristão, o autor do texto expunha a sua opinião afirmando que Satanás engana alguns evangélicos para que estes se iludam com a ideia de que são os únicos detentores da verdade, podendo julgar e condenar os outros e até os da própria fé. Para ele, tais pessoas são chamadas de Intolerantes. Embora, a primeira vista, a afirmação seja algo correto, na verdade é que o texto não passa de um dos típicos ataques que despropositadamente agressivos, contra quem não admite o erro e o pecado. Em certos pontos da texto, a coisa toda respingava em mim também. Nitidamente era uma pura tentativa de se esquivar de Deus e da Igreja atacando os outros.


Mas uma coisa que me deixa preocupado com este tipo de artigo na Internet é que eles tem a imensa capacidade de formar opinião e pegar no laço gente com pouca profundidade em conhecimento das Escrituras e de vida espiritual.
Me senti implicado no texto, então alguns questionamentos são necessários:
1. Se sou Intolerante, sou Intolerante com o quê?
2. Se eu sou acusado de Juiz, o que eu julgo?
3. Se sou convicto que a Bíblia é a Palavra de Deus, qual a razão para não crer que tenho nas mãos a Verdade?
4. Se eu reafirmo a Verdade das Escrituras, não estou eu me opondo a toda e qualquer pretensa verdade?
Mas o que o autor em questão não se apercebe dele mesmo, é que seu discurso piedoso, na verdade esconde a falácia da filosofia pós-moderna: Tudo é relativo, a verdade é relativa para cada um e está com todos, não existe certo e errado, e o individualismo é o que determina que tipo de relação social devemos ter. Tudo isso é vivido no mundo de hoje, mas agora, como já disse em artigo anterior, é importado para dentro da Igreja, e está ganhando terreno com relativo sucesso.
Mas o texto prossegue, e além de comparar quem discorda de sua postura com inquisidores medievais, de mente reducionista e deturpadores do Evangelho, quer fazer o leitor acreditar que qualquer movimento que não seja "o de Amar", é sectarismo.
Aí que me pergunto: De que "amor" o Mané está falando? Tanta resistência em tão poucas linhas não esconde algo mais dentro do discurso?
Com certeza sim!

Na continuidade de sua pregação sem sentido, o autor diz que os intolerantes tem dificuldade de conviver com quem pensa diferente, inclusive na Doutrina. Bem, a princípio, uma discordância teológica existe por haver mais de uma interpretação da Escritura. Conviver com isso é fácil. Agora, será que sou obrigado a conviver com um herege sem ao menos uma vez questionar a sua heresia? Para o autor, se eu o fizer, sou maligno em meu julgamento e atiro fora as pessoas como frutas podres. Levando-se em conta que heresia é pecado, e pecados reincidentes são passíveis de punição pela Assembleia, Paulo nos adverte que:
Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. (I Co. 5: 11)
Entenda-se a heresia, não apenas a elaborada por teólogos de cabeça inchada de conhecimento da letra, mas toda e qualquer afirmação diabólica que vai de encontro ao que a Sagrada Escritura nos diz e que em alguns casos é até posto como algo bíblico. Muito provavelmente o amado autor iria "reinterpretar e desconstruir" o versículo acima e me chamaria de intolerante. Mas deixa pra lá.
Depois de alguns segundos de leitura do texto produzido por ele, ira se notar que sua perspectiva teológica, é imbuída da visão do Movimento da Igreja Emergente. Ovaciona algumas figuras notórias em cometer erros teológicos gritantes, justificarem o pecado quando este lhe foi motivo de escândalo público, laborar em erro e  fazerem afirmações estranhas a Escritura. Entre tais figuras podemos citar: Rob Bell (um dos líderes do Movimento da Igreja Emergente e adepto de pensamentos da teologia neo-ortodoxa), Brian McLaren (que diz que o inferno não existe e que Deus não é oniciente e pai da chamada Ortodoxia Generosa), Caio Fábio (dispenso comentários), Ricardo Gondim (expoente nacional do Teísmo Aberto), entre outros. Não sei como não citou o Mark Driscoll, que trata Deus como se ele fosse seu namorado, crítica feita pelo próprio McLaren. Vejam como são unidos estes Emergentes!!!
Mas o texto não para por aí. Chega a dizer que a Graça de Deus jamais condena. PARA TUDO!!! Então ninguém vai para o inferno? Se esta graça é tão assim... tão... sei lá, não tenho nem como definir, então Jesus vai acabar aceitando tudo e levando para o céu?
Ainda diz que o Amor incondicional é tolerante ao ponto de agregar e acolher somente. ESPERA AÍ!!! Agora os atributos de Deus se resumem apenas a este Amor esquisito? E a SANTIDADE e a JUSTIÇA de Deus, para onde foram?
Impressiona, no entanto, que após disparar suas críticas e desfiar seu rosário de adjetivos com português rebuscado (ótima forma de ofender e insultar alguém), para falar dos intolerantes e dizer que não é papel de ninguém julgar e condenar, ele próprio começa a cair no mesmo erro. Ele chega a escrever que ações como a destes intolerantes são motivadas por um sentimento de roubo, destruição e morte, típicas ações do Diabo. Chega a dizer que é possível que aja mancomunação com o inferno.
Ora, seu Mané. Você acabou de se trair neste seu discurso esquerdista de tolerância, inclusão e respeito a individualidade. Acabou de condenar ao inferno um irmão seu, chamando-o de parceiro de Satanás e desprovido do amor de Cristo.
Agora me responda: Que espécie de "Amor" é este que você prega, Mané?

Sou intolerante sim. Sou intolerante com o pecado, mas principalmente com a falta de arrependimento para com este. Logo, não tolero os cães na igreja. Não faço questão alguma de abraçar, agregar, acolher e tolerar a cabritagem, a reincidência contumaz (permita-me a redundância), e a falta de temor a Deus (e a falta de vergonha e muita cara-de-pau). Sou intolerante com esta teologia perniciosa que vem do hemisfério norte chamada de Emergente, a teologia da prosperidade e das extravagâncias e farra de títulos eclesiásticos, e da macumba evangélica dos neo-pentecostais.
Sou juiz sim. Juiz de mim mesmo, juiz das falsas profecias que estão se alastrando neste país, juiz das heresias e dos desatinos pecaminosos cometidos por crentes imaturos e pouco instruídos na Escritura, mas muito instruídos em seus próprias convicções do que é Liberdade Cristã, Graça, e Amor, fora daquilo que é a simplicidade estabelecida pelos Apóstolos, Pais da Igreja e Reformadores, e que tem dado margem para muitos cabritos fazerem e acontecerem, em nome de sua própria consciência.
Sim. Não tenho dúvida alguma de que a Bíblia e suas doutrinas mais do que experimentadas pela prova do tempo, não necessitam ser adequadas a cultura alguma, e a nenhuma época ou filosofia, seja ela moderna, pós-moderna ou Após-a-pós-moderna. O Evangelho não é e nunca foi hóspede da cultura e da sociedade. Pelo contrário. O Evangelho é o seu juiz e redentor.
Sim. Sou contra este falso Amor que está sendo pregado por aí nas cavernas, comunidades, abrigos e igrejolas espalhadas pelo país. Amor que passa a mão na cabeça de crente que ama o pecado e não demonstra frutos de arrependimento. Falso amor que não disciplina e se utiliza da graça de Deus para pregar uma santidade falsa, afirmando que esta é totalmente responsabilidade de Deus e que o homem (regenerado) nada pode fazer a respeito. Trocando essa heresia em miúdos: "Se Deus quer a minha santidade, ele que me santifique, pois eu sou pecador e não posso buscar santificação. Logo, eu continuo pecando e vivendo minha vida, e Deus que se encarregue de me santificar para ele mesmo."
Em Nome do Senhor Jesus Cristo, meu Senhor e Salvador: PRO INFERNO COM ESSA TEOLOGIA. Não tenho receio algum de dizer: São apóstatas e falsos profetas os que asseveram tais coisas, estão laborando em erro, e caem em perigo de experienciar o fogo do inferno por ensinar aos pequeninos tais pensamentos diabólicos.

Norbert Lieth escreve sobre esse amor falso de hoje em dia:
É impressionante como hoje em dia, a vida cristã tem que tomar algumas medidas defencivas contra as velhas crias da natureza humana. Pior ainda quando estas defesas são em detrimento próprio, com capa de amor, mas revelando nada mais e nada menos do que ridículas "Políticas de Boa Vizinhaça" e do que é "Politicamente Correto"! 
Esse falso amor que deixa os cabritos impunes e que nos impede de denunciar o pecado dentro da igreja, com o risco ridículo de sermos alvo de supostos crentes esclarecidos, de nos chamarem de filhos do diabo, juízes do povo, palmatória do mundo, etc...
Aliás, de política em política, se comete absurdos na igreja, se faz vista grossa para muita coisa, e se trata de problemas morais e de caráter como se fossem um resfriado que pode ser tratado com nada e apenas se esperar a simples remissão dos sintomas.
E se perpetua, como podemos ver, o evangelho do "Gospel" e do "Gizuz", dos evangelhos modernos, dos ensinos de Cristo contextualizados para toda sorte de tribos, guetos, e fenômenos da doente sociedade ocidental, que passa ao ridículo e cômico para olhos mais sábios e de visão mais crítica (mas que são chamados de bitolados por parte dos Manés da vida). Vai então uma corja empurrando com a barriga toda espécie de porcaria, e tudo em nome a tolerância e aceitação do diferente. Onde a Bíblia me manda aceitar estas coisas?
Na igreja onde congrego, também já existiu um grupinho assim, tal qual a experiência de Lieth, que acrescenta: 
Tratar o erro, o pecado, e a falsa doutrina, com tapinhas nas costas, palavras de motivação, e em alguns casos berrantes, com o silêncio absoluto. Pra falar a verdade, ainda pensam assim. Tanto que alguns comportamentos antes nitidamente reprováveis, hoje são tratados a base de justificativas verborrágicas, ataques de acusação, difamação da liderança e dos demais membros da igreja como sendo fariseus hipócritas, e com algumas doses de enojantes explicações teológicas sobre a "Graça de Deus" (que não a Graça de Deus exposta na Bíblia), para ter com que se fundamentar o fato de que nunca houve uma confissão pública, arrependimento, ou ao menos remorso.
Será que essas pessoas lêem a Bíblia, pelo Amor de Deus?!?!?!?!
Desde quando repreender o irmão em pecado é um ato de desamor? Onde isto está na Bíblia?
Quando um verdadeiro crente resolve denunciar o pecado, é logo criticado e chamado de fariseu,  alguém que atira a primeira pedra no pecador. Chega a ser tola demais esta postura!  Estes parecem que confundem o pecado com o pecador, ou melhor, NOS JULGAM, ISSO MESMO, JULGAM, que nós é quem confundimos os pecadores com o pecado deles. Entretanto isso não isenta a ninguém que esteja no erro de ser chamado a atenção. E ainda dizem, na intenção e não na ação ou verbo, que repreender a um irmão em pecado não é uma atitude de amor. Que raio de teologia nojenta! 
Acho que tem muitos seguidores de Philip Yancey, Mark Driscoll e Brian Mclaren precisando ler I Coríntios 13: 6 e Ezequiel 33: 1 - 9.

Lieth e eu concordamos com uma coisa. Não dá para tolerar mesmo as coisas que se publicam na internet, nos livros e o que se prega nos púlpitos como sendo a "Sã Doutrina", mas que não passa de revisionismo safado e velhas teologias espúrias, já condenadas ao longo da história da Igreja. Também SOU INTOLERANTE, repito, com o pecado desgraçado e o erro engrassando no meio da igreja e ser obrigado a ficar calado, por conta de uma meia dúzia de hereges ofendidos, enquanto vemos a igreja se degradando. Este meu discurso certamente é o suficiente para, se dito do púlpito da congregação onde frequento, na condição de pastor, fazer com que esta meia dúzia se ofenda e saia da Igreja. Bom, fato é que isso aconteceu, mas não comigo. Meu pastor titular teve que engolir muito sapo com uma história igual a que descrevo para vocês.
POIS QUE SE OFENDAM! O Reino de Deus não pode ser tratado deste modo! Não mesmo.
Agora, vou me permitir a citação da citação. Norbert Lieth lembra muito apropriadamente as palavras do respeitado Bispo Ryle: 
"A Reforma Protestante só foi vitoriosa porque houve discussões. Se fosse correta a opinião de certas pessoas que amam a paz acima de tudo, nunca teríamos tido a Reforma. Por amor à paz deveríamos adorar a virgem Maria e nos curvar diante de imagens e relíquias até o dia de hoje. (...). Deus tenha misericórdia dos pastores cujo alvo principal é o crescimento das suas organizações e a manutenção da paz e da harmonia. Eles até poderão fugir das polêmicas, mas não escaparão do tribunal de Cristo."

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