quarta-feira, 15 de julho de 2009

La Guerra de Las Galaxias: Uma paródia sobre Star Wars X Star Trek

Qua, 10 de Junho de 2009 09:59

Por Darth Metrius


Todos os verdadeiros fãs de Star Wars hoje sabem que “Star Wars” se tornou uma marca registrada de tudo àquilo que for relacionado à saga cinematográfica de George Lucas, muito além de apenas um título.
Hoje, em um cinema brasileiro, mesmo que o cartaz contenha o título aportuguesado, “Guerra nas Estrelas”, resquício da ditadura militar que obrigava a tradução de todos os títulos em língua estrangeira para o português, obrigatoriamente tem que constar “Star Wars”.
O curioso mesmo é o título em espanhol: “La Guerra de Las Galaxias”. Traduzido para o nosso idioma, coisa por demais “difícil” de se fazer, ficaria: “A Guerra das Galáxias”. Esse título, na verdade, também é um remanescente da ditadura de Franco, na Espanha e de outros países de língua espanhola, nacionalistas ou populistas, coisa que nos anos 70 era uma moda anticomunista e antiamericana. É obvio que o título está traduzido errado, já que Star Wars conta estórias que se passam em uma única galáxia, salvo apenas quando se dá a invasão Yuuzhan Vong.

Mas “La Guerra de Las Galaxias” me serve, neste momento, de inspiração para outra coisa. Uma verdadeira guerra entre duas galáxias, que ficou muito mais divertida e engraçada depois que o filme Fanboys, de maneira bastante cômica, mostrou a rivalidade entre os fãs de Star Wars e os “Trekkies” . Tratando deste assunto, o título em espanhol realmente faz sentido, já que a discussão agora se dá entre a Via Láctea e a galáxia Far Far Away.
Recentemente esteve em cartas nos cinemas o mais novo filme da franquia Star Trek. O filme, com o título Star Trek: The Future Begins, é o décimo primeiro da série e, atualmente, considerado um dos melhores, salvando a expectativa dos fãs de mais um fiasco, como foram os três últimos filmes da dita Nova Geração e suas Enterprises D e E.
O Novo Star Trek apresentou em detalhes o que se via, até então, apenas em Star Wars. Regado com uma trilha sonora excelente, e mostrando todos os efeitos especiais de última geração, que a tão amada ILM pode produzir (rendam-se!), este novo filme foi uma verdadeira redefinição do que é “Jornada nas Estrelas”.
Sem explorar novíssimos personagens, mas sim, trazendo velhos conhecidos em uma realidade alternativa, onde vulcanos e romulanos perdem o seu lar, e a clássica Enterprise ganha um novo design, The Future Begins, ganha ares de Revenge Of The Sith, com as primeiras cenas de batalha entre a USS Kelvin e a Narada, com baterias de phasers atirando como se estivessem na órbita de Coruscant durante a invasão separatista, duelando contra um destróier estelar da república ou uma fragata a União Tecnológica. Antes disto, os tiros das naves da Frota Estelar simplesmente pareciam sair do casco da nave. Agora tivemos o vislumbre das baterias giratórias abrindo fogo.
Mas é agora que a coisa realmente se torna interessante. Nas comunidades dedicadas a franquia criada por Gene Roddenberry, nos anos 60, muitos dos fãs fazem comentários do tipo: “O filme é bom, mas não é Star Trek em essência!”, ou ainda: “Eu não recebo para defender Star Trek, principalmente este último filme aí!”, ou mais ainda: “Tentaram transformar Star Trek em Star Wars.”
Particularmente, salvaram Star Trek ao usarem o que foi feito em Star Wars, principalmente depois de concluído o Episódio III. Após os três últimos longas, que foram uma bomba (se bem que Star Trek: Nemesis foi um pouco melhor), Star Trek: The Future Begins, mostrou que o Império de George Lucas realmente veio para traçar marcos e definir novas abordagens! Nos filmes anteriores, a qualidade dos efeitos especiais figurava entre aqueles que eram produzidos para a televisão, mas mesmo assim eram superiores aos da série televisiva (me refiro à Nova Geração, pois a série original não conta). Não sei dizer se por causa de baixo orçamento (logicamente dentro da realidade das mega-produções), ou se por outro motivo qualquer, mas a ILM fez o que pode, tendo em vista que sempre esteve envolvida nas produções. Mas o problema não estava aí, e sim nas direções e roteiros. No site brasileiro, Trek Brasilis (www.trekbrasilis.org), é possível se ler uma coluna onde o autor diz: “Star Trek perdeu o rumo”, se referindo aos últimos filmes e séries atuais.
Já neste novo filme, o diretor foi outro, J. J. Abrams, e o roteiro foi muito bem escrito por Roberto Orci e Alex Kurtzman (roteiristas de Transformers I e II, chamemos assim), e a ILM deu uma senhora ajuda, com a participação da Digital Domain.
Mas o mais curioso de saber foi que, tanto os diretores, quanto os jovens atores, são fãs de Star Wars, e alguns desde criança, como Abrams. Isso por si só, tendo sido uma declaração aberta feita a imprensa, foi razão suficiente para muitos trekkies se doerem por dentro, motivo pela qual uma boa parte teve antipatia total ao filme, objeto de sua devoção (e para alegria dos “filhos” de Han Solo).
Ainda mais provocante, foi a comédia feita em Fanboys, de Kyle Newman, “zoando” com os trekkies. Em determinado momento da viagem dos garotos para o Rancho Skywalker, eles param na cidade de Riverside, Iowa (terra natal do personagem Capitão James T. Kirk), e provocam uma briga com um grupo de fãs de Star Trek, fantasiados com uniformes da Frota Estelar e palestrando sobre a franquia. Após um deles chamar Han Solo de “put...” (bitch), a confusão se instala, com direito a uma orelha vulcana arrancada e terminando com uma estátua de Khan Noonien Singh sendo destruída. Em outra cena igualmente provocativa, o próprio William Shatner, fazendo o papel dele mesmo, dentro de um hotel-cassino em Las Vegas, ajuda dois dos protagonistas a fugirem de seus perseguidores vestidos de Kirk e Spock, entregando a eles senhas de entrada e material gráfico de toda espécie para uma convenção da Frota Estelar, a qual nossos heróis desejavam entrar furtivamente para curtir com a cara dos participantes, mas sem sucesso. Detalhe: o encontro dos protagonistas com Shatner deveria ser um segredo. “Nós nunca nos encontramos”, pede o velho capitão da Enterprise aos dois jovens amigos.
A participação de William Shatner no filme, aparentemente, ajudando fãs de Star Wars e sabotando uma convenção de trekkies, possa ser apenas uma inocente brincadeira, uma gentileza do ator ao convite feito, ou mesmo por sua amizade com George Lucas, mas também pode esconder sua atual insatisfação em ficar de fora das produções mais recentes e principalmente por terem “matado” seu personagem. Tanto é verdade que o querido Capitão Kirk só voltou às telas, porque era mais jovem, porque contariam sua história pregressa e estava envolto em uma realidade alternativa. Pergunte-me se isto irrita os fãs de Star Trek? Muito!
Outra destas batalhas entre Star Wars e Star Trek se dá na nossa realidade cotidiana, quando navegamos pelo Orkut ou assistimos vídeos do Youtube. Neste último, você pode encontrar produções hilárias, outras muito bem montadas, algumas toscas, e outras bastante criativas, feitas por aficionados pelas duas franquias, geralmente uma afrontando a outra. Um dos mais famosos é o vídeo por nome Star Trek VS. Star Wars, onde mostra a Enterprise do capitão Jean-Luc Picard entrando em batalha contra o Star Dreadnought Executor e a Estrela da Morte. No vídeo, a Executor é destruída por um torpedo de prótons (ridídulo!), mas a Estrela da Morte acaba por fazer com que a Enterprise saia correndo, entrando em dobra espacial. Em um outro vídeo mais recente, Death Star Destroys Enterprise, publicado no Youtube por ocasião deste último longa de Star Trek, vemos a Estrela da Morte visível no céu azul de São Francisco, Califórnia, em uma órbita baixa, disparando contra a Enterprise NCC-1701, destruindo-a, que cai na baía de São Francisco, próximo a ponte Golden Gate, enquanto Stormtroopers ocupam uma das capitais da Federação dos Planetas Unidos e quartel-general da Frota Estelar (Viva Palpatine!).
Estes são alguns exemplos do que ocorre em nosso amado planeta Terra, nas inúmeras convenções e encontros de fãs. A geração que acompanhou ambas as franquias, e a nova geração que aprendeu a amar a vida e obra de George Lucas e Gene Roddenberry, perpetuam os seus legados, mesmo que com estas intermináveis disputas (que ótimo!) para saber se a Enterprise venceria um destróier imperial, ou se Picard comandaria melhor que Han Solo. Fato é: a maioria dos fãs de Star Trek também admira Star Wars, e vice-versa. Daí a minha paródia com o título espanhol do início desta coluna. Mas sempre é emocionante quando um trekkie esbarra com um de nós e nos faz a famosa pergunta: “Quem venceria?”
Eu adoro isso!

Originalmente publicado no site: www.jedimaster.com.br

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