sexta-feira, 25 de maio de 2012

A CONFISSÃO DE XUXA

Por Julio Severo

Título Original - Fantástico: Xuxa diz que sofreu abuso sexual

Revelação irá abafar escândalo de filme de pedofilia que vem assombrando sua vida e carreira durante décadas?

No programa Fantástico de domingo passado, Xuxa alegou que sofreu abusos sexuais na infância. Supostamente, foram três homens.
Xuxa, no Fantástico, revelando-se vítima de pedofilia

Sua declaração forte trouxe uma alta em sua imagem num momento em que sua carreira já não tem o brilho que tinha antes. O brilho tem sido cada vez mais ofuscado por um sombrio esqueleto em seu armário: Em 1982 ela fez o papel principal do filme “Amor estranho amor”, que contém cenas de pedofilia explícita em que ela seduz um menino.

Xuxa, em filme pornô, fazendo
sexo com um menino de 12 anos
Xuxa vem travando uma batalha judicial sem tréguas para que o filme, que tem perturbado sua carreira e fama, não seja oficialmente comercializado em DVD. Seus produtores haviam chegado a exigir 100 mil reais por ano para manter o filme “extinto”. O desgaste com o obsceno filme pró-pedofilia tem sido um flagelo na fama e bolso da atriz.

A trajetória de Xuxa, com suas recentes revelações de pedofilia na infância, teve um início com contexto previsível. Sabe-se que ela, por costume da família ou vontade própria, gostava de andar nua dentro de casa quando era menina. Crianças de lares com tais “hábitos” não raramente enxergam com “naturalidade” o sexo.
Qualquer homem moralmente são teria dificuldade de visitar uma casa onde o pai permite que sua filha de oito, dez ou doze anos ande “ao natural”. Não chega a ser “fora do normal” um lar com nudez descarada produzir abusos sexuais. É um ambiente produtor de tentações.

Tais lares, além de tornarem suas crianças vulneráveis aos oportunistas sexuais, não veem nada de errado em revistas pornográficas.
Xuxa na capa da Playboy
Xuxa não só tinha essa visão, mas também chegou a posar nua para várias revistas pornográficas, inclusive a mais famosa, a Playboy. O que era “natural” para ela acabou também virando fonte de renda.

Mesmo com esse histórico moralmente turbulento, ela acabou entrando no mercado infantil, com um programa primeiramente na TV Manchete e depois na TV Globo, onde dançarinas mirins com trajes curtos e a garotada garantiram para ela e para a TV Globo IBOPE e audiência. Ela passou de coelhinha da Playboy à rainha dos baixinhos.

É uma carreira infantil de sucesso alicerçada em assombrações pornográficas e pedofílicas.

Ela não era, é claro, o exemplo ideal para as crianças. Mas o mundo imundo da TV tem valores inversos de uma família que protege os filhos com valores morais.

Durante o governo de Lula, Xuxa encabeçou a campanha nacional “Não Bata, Eduque!”, lançada por Lula em Brasília. A campanha, de modo ostensivo, buscava a criminalização de pais e mães que aplicam castigos físicos como disciplina para o mau comportamento dos filhos.

Xuxa mostrou sua rebelião a esse mundo com limites para as crianças. Talvez ela anseie um mundo onde as crianças possam tranquilamente andar livres dentro de casa — livres de roupas — e assim estar mais preparadas para ver com naturalidade o sexo e a revista Playboy.

Mas a experiência de uma infância sem limites e sem roupas não trouxe felicidade para a menina Xuxa. Trouxe, pelo que alega ela, estupros. E trouxe, pelo que mostra seu currículo, seu estrelato num filme de pedofilia explícita e participação em revistas pornográficas.

Em todas essas décadas, Xuxa jamais reclamou de ter sofrido peso na consciência pela óbvia incoerência entre sua vida no mercado pornográfico e no mercado infantil. O que importava, talvez, fosse obter dinheiro, fosse de qual fosse a procedência.

Na entrevista ao Fantástico, Xuxa se queixa de um pai ausente, mas quando ela teve oportunidade de fazer diferença na sua vida, ela escolheu ter uma filha sem um pai. Ela determinou que a figura do pai ficasse ausente da vida de sua filha.

Depois de sua recente confissão de abuso sexual na infância, Xuxa deveria abandonar seu ativismo contra os direitos dos pais disciplinarem seus filhos e imporem limites — inclusive o uso de roupas — neles. Abuso e violência não é impor limites nos filhos, conforme hoje esbraveja Xuxa com sua campanha anti-pais, mas a falta de limites.

Seu ativismo agora deveria se limitar aos malefícios da nudez dentro de casa, de como essa prática torna as crianças presas fáceis de pedófilos, do sexo casual e da pornografia.

O ativismo dela deveria também incluir uma campanha de alerta para que os pais bloqueiem toda pornografia em seus lares.

E ela poderia também aproveitar e aparecer novamente no Fantástico para pedir perdão às famílias e crianças do Brasil pelo filme “Amor estranho amor”, onde ela mesma, já adulta consciente e com fome de grana, fez descarada propaganda pró-pedofilia.


NOTA: Amor Estranho Amor (de 1979 e lançado em 1982) é um filme que causa muita polêmica devido à participação de Xuxa que, com a idade  (provavelmente) de 17 ou 18 anos na data das filmagens (antes de se tornar uma apresentadora de programas infantis). Seu personagem aparece em cenas tendo relações sexuais com um menino de 12 anos, interpretado por Marcelo Ribeiro. Xuxa, através de liminar judicial, mandou recolher todas as fitas originais de locadoras e lojas.  Contudo, muitas cópias pirateadas continuaram circulando, tornando o filme um artigo lendário entre pessoas que desconheciam a película.

Amor Estranho Amor está proibido para distribuição e comercialização no Brasil. Entretanto, a película foi lançado em DVD nos Estados Unidos em 2005 e pode ser comprada por qualquer pessoa em sites no exterior por importação. A empresa americana não vendeu os direitos a Xuxa, que chegou a entrar com ação judicial nos EUA em 1993, mas perdeu a causa.

No ano de 2006, Marcelo Ribeiro foi encontrado com 34 anos e concedeu algumas entrevistas. Publicou um livro contando como tudo aconteceu na época, incluindo conversas com a Xuxa nos bastidores. Em 2007, Marcelo fez um filme pornográfico, aproveitando a fama repentina. Naquele mesmo ano, o filme volta a circular, inteiro e dividido em 5 partes e sem cortes. Nenhuma medida foi tomada ainda. Em 2011, o produtor Anibal Massaine passou a brigar na  justiça para conseguir comercializar o filme.

Em depoimento para o apresentador Amaury Jr., em 1990, Xuxa diz que não sente vergonha do filme e que tudo foi apenas um trabalho. Veja:

Se é um trabalho artístico como outro qualquer e ela não se arrepende de ter participado dele, qual o motivo dela proibir judicialmente a comercialização? Ela entra em forte contradição nesta entrevista, se queixando de publicidade oportunista em cima de seu nome e imagem. Para com isso, Xuxa!!!

Para um programa de televisão de fala espanhola, Xuxa declara que não vê o filme como algo pornográfico, mas apenas sexy, revelando que ela tem o mesmo baixo padrão moral do brasileiro que consome pornografia. Tudo foi apenas um trabalho e que errado seria se ela tivesse matado, roubado ou se prostituído. Veja:

Quer dizer então, Xuxa, que a cena na cama e o menino colocando a mão no seu seio não era nada demais? E agora você quer proteger crianças???

Alguns detalhes da biografia velada de Xuxa, trazidas por Julio Severo, são corroborados por fatos sabidos de todos, que acabam por trazer descrédito ao emocionalismo gerado pelas declarações. Podemos fazer alguns questionamentos:

1. Se Xuxa realmente foi abusada sexualmente até os 13 anos (segundo ela alega), como ela conseguiu fazer um filme pornochanchada apenas três anos depois do último abuso sexual, em uma cena de sexo com um menino de 12 anos de idade? Com base nesta pergunta, podemos traçar algumas possibilidades:
  • A história é uma farsa, embora seja o menos provável, pois ela não iria a TV para queimar a sua reputação de forma gratuita com uma mentira.
  • A história é verídica e deixou terríveis sequelas psíquicas ao ponto de Xuxa perder todo o senso moral e a dor do trauma, chegando a reproduzir as mesmas condições e sofrimentos a ela infligidos, porém de forma cênica.
  • A história é verdadeira e Xuxa trabalhou o seu sofrimento de tal forma que a dor psíquica foi elaborada sem qualquer ajuda de sua mãe e profissionais da psicologia. Neste caso, o quadro é pior, pois ela elabora o abuso tão bem que até a inibição e pudor são rechaçadas.
Xuxa (carnaval de 1982, 18 para 19 anos)
passando a faixa de Pantera para a
vencedora do concurso um ano depois.
2. Podemos especular que hábitos e valores familiares contribuíram para esta tragédia? A resposta mais correta é um 'SIM'. E não é preciso duvidar de que Xuxa não teria dificuldade nenhuma em se expor eroticamente, tendo em vista que:
  • Seu primeiro filme foi uma pornochanchada com cenas eróticas e de sexo com um menino de 12 anos (Marcelo Ribeiro);
  • Em 1981 (com 17 para 18 anos), ela venceu o Concurso das Panteras, evento ligado à programação do Carnaval do Rio de Janeiro;
  • Estes mesmos eventos indicavam quem seriam as próximas capas da Revista Playboy, já que os organizadores do concurso e o (ir)responsável pela citada publicação adulta eram parceiros. Xuxa foi coelhinha da revista em dezembro de 1982, aos 19 anos. Ainda faria mais dois ensaios fotográficos para revistas masculinas durante a carreira.
3. Podemos especular que, tanto o diretor do filme, os produtores e Xuxa são responsáveis por uma possível degeneração de caráter do ator Marcelo Ribeiro? Sim. Marcelo Ribeiro não fez fama como ator, e foi muito prejudicado pela ação judicial movida por Xuxa. Seu último trabalho foi um filme pornográfico com um nome que faz alusão ao filme de 1982.

É lamentável que Xuxa tenha vivido tamanho sofrimento, é de verter lágrimas e chorarmos por esta situação. Mas sempre ficamos com a suspeita da mentira, já de detalhes da sua vida e carreira artística tornam-se incongruentes com o que ela declarou no Fantástico. Embora sejam informações conflitantes, não seria difícil para uma compreensão psicológica de que Xuxa tenha traumas tão grandes em seu emocional, que foram capazes de leva-la a ter uma vida na adolescência e idade adulta conturbada e cheia de fatos polêmicos.

Sua dificuldade em confiar nas pessoas e se entregar a uma relação amorosa estável pode ser explicada por estes tristes fatos de sua infância. Contudo, estes abusos são explicados (não justificados, que fique claro) pela forma como a família educou-a, com permissividade e poucas ou nenhuma restrição quanto pudor e auto-valorização do corpo. Sendo assim, estes mesmos abusos podem explicar a sua iniciação precoce na pornografia e na sensualidade, o que de certo modo, continua sendo a ferida do trauma, mas com uma nova face e que evoluiu para uma vida de solidão e desconfiança dos homens.

Mas por traz disso tudo, o que se lê nas entrelinhas, o que muita gente não percebe, pois está demais comovida para pensar, é que esta confissão em rede nacional para o Fantástica apenas visa outros interesses: 

1. Interesses Pessoais: Xuxa tentou convencer o Brasil e o Congresso Nacional em apoiar e aprovar a famigerada Lei da Palmada (PL 7.672/2010), mas sem sucesso até agora, pois gerou forte debate e críticas quanto aos Direitos do Pais. Juntamente com Lula, a Xuxa iniciou a Campanha Não Bata, Eduque, tentando sensibilizar pais e ou responsáveis a deixar de usar os castigos corporais, usando como argumento a terrível violência doméstica e são abusos são iguais a palmadas e outras formas de correções físicas aplicadas pelos pais. A Campanha fracassou e o Senado mandou o projeto para discussão em plenário. Com a declaração do Fantástico, ela muda o foco da campanha para a questão do abuso sexual, o que fez o país se condoer. Desta forma, a opinião pública será induzida a apoiar o projeto e assim este não sofrer mais resistência no Congresso.

2. Interesses da Rede Globo: Embora ela também tenha interesses pessoais nisto, a Globo, contudo é a maior interessada nesta jogada de Marketing. O atual programa apresentado pela Xuxa está com baixas de audiência, ameaçando a emissora e a atual carreira da apresentadora, que já não tem mais tanto brilho como antes. Estas declarações no Fantástico também serviram para salvar a audiência do mesmo, pois o programa também está sofrendo com baixas de audiência. A Globo uniu o útil ao agradável, e usou o caso de Xuxa para alavancar mais uma vez a carreira de sua mais querida funcionária e de seus programas. A Globo também tem interesse político na Lei da Palmada, assim como tem interesse em apoiar movimentos e discursos esquerdistas e progressistas.

Nem a Xuxa nem a Globo são inocentes.

3. Interesses Políticos: O PT e partidos aliados sempre contaram com a apresentadora e a emissora acima citada para promover sua Agenda. Não se espantem caso mais na frente algo apareça ligando o fato ao PT ou pessoas ligadas ao governo, já que a "luta" de Xuxa é a mesma da Rede Globo e é a mesma do PT: Aprovar uma lei que tira a tutela dos pais e a transfere ao Estado, quanto a educação das crianças brasileiras.

Xuxa e a erotização precoce de crianças
Desde modo, como não achar que tudo o que foi dito nos 20 minutos de depoimento choroso e cheio de lacunas de Xuxa não soa suspeito demais ou - no mínimo - incoerente? Como alguém que se deitou com uma criança de 12 anos para fazer uma cena de sexo pode falar em defender crianças de seus pais? Por mais que ela diga que os abusos sofridos na infância tenham motivado sua campanha, estas nobres razões ficam manchadas por um passado sujo, público (pois não é mistério de ninguém) e de moral duvidosa.

Alguém já parou para pensar na Sasha ao ver a mãe se expor desta forma sem necessidade? Que loucura foi esta que ela fez? Será que é legítimo dizer na TV que amou o Senna, teve um romance com o Pelé e omitir totalmente a figura de Luciano Szafir, pai da Sasha?

Se realmente esta mulher quisesse fazer uma confissão verdadeira de sua vida, no mínimo, para ser coerente com sua campanha em favor das crianças violentadas e abusadas por seus pais, parentes e amigos, ela deveria ao menos pedir pedir perdão por Amor Estranho Amor, pedir perdão a Marcelo Ribeiro, e pedir perdão ao Brasil. Se ela abrisse o coração para desabafar os abusos, mas ao mesmo tempo assumir seus erros, ela teria muito mais lágrimas de solidariedade de mim e de outras pessoas que não se convenceram de suas palavras.

Esta é a minha opinião.

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