quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Novo Pastor em Ministério Velho

Por Demetrius Farias

Se tem uma coisa ruim em igreja grande, de capital estadual e cheia de ovelhas e "ó-velhas", é um novo pastor para um ministério velho. Ministério velho destes assim: Mocidade, Grupo de Louvor, Ministério de Senhoras, etc..., que são tão antigos quanto o membro mais idoso da comunidade. Pior se a igreja já for centenária! Aí é que a coisa fica feia mesmo, pois sempre tem aqueles que acham que o ministério já foi tombado pelo patrimônio histórico mundial e ninguém pode mexer em nada.

Pense na marmota, hipotética e exemplificatória: Um filho de uma "quirronca e fuça", é flagrado na mentira, acusado por mais de três maridos ofendidos de terem sido vítimas do aliciador disfarçado de ministro do evangelho (sendo que a acusação partiu das esposas também ofendidas), além de ter tido um caso confirmado com mulher de amigo próximo, e de ter passado noites (ou dias) na internet vendo mulher pelada (provavelmente se acabando no cinco-contra-um), vai a juri eclesiástico e depois sai dizendo que foi vítima de complô (despropositado), contando meias-verdades para esposa, filhos, sogra e meia dúzia de "cabritos", seguidores cabeça-de-vento, e amigos de conduta duvidosa, já que não chegaram nem a lhe dizer: "O que é isso, companheiro!", e posando de bom moço, resolve se rebelar e fundar sua própria igreja, ou melhor dizendo, sua própria comunidade religiosa alternativa de cunho protestante.

No vácuo desta tragédia anunciada e cumprida, chega o novo pastor para ocupar o lugar do antigo, tendo que dar conta de tudo e ainda ter que fazer melhor, já que a insatisfação é geral e as expectativas são semelhantes ao do dito "Efeito Barack Obama": Muita expectativa para poucos resultados!

Aí chega o novo pastor, que não necessariamente é um pastor novo, mas o cenário calamitoso que ele encontra é tão medonho que mesmo sendo experiente (na oração e no jejum), bate aquele medo de terminar de enterrar o ministério, colocar a lápide, escrever o epitáfio e chorar o defunto.

Para enfrentar a barra, o novo ministro tem que, além de notórias capacidades administrativas e de comando, fora as necessárias habilidades em orar por mais de uma hora, ler a Bíblia e meditar diariamente, expulsar o capeta do couro de crente (e descrentes), e interceder por cura para mais da metade de quem acha que tá bom da saúde, precisa suportar os seguintes processos de humilhante descrição:

1. Apresentar projeto para reestruturação, que vai a votação, é aprovado e depois morre em uma gaveta de gabinete ou na casa do líder do ministério;

2. Dar posse de presidente do ministério para candidato único, em eleição de fachada, onde todos já sabiam quem iria ganhar;

3. Disciplinar muleque safado, deflorador de namorada, bebum, e baladeiro, e ainda ter que levar na cara ofença do papai e da mamãe;

4. Calar a matraca de fofoqueiros (e fofoqueiras!);

5. Aconselhar mais da metade com problema de toda ordem;

6. Ter que ouvir boatos sobre si mesmo da boca cabra covarde (velhos e novos) que não tem coragem de falar na frente;

7. Aguentar rebeldia de insubmisso;

8. Disputar membro com pastor de outro departamento;

9. Disputar membro com o líder sob a autoridade do pastor do outro departamento;

10. Coordenar quase que sozinho grandes eventos e ainda receber crítica de quem nem se quer compareceu na estréia;

11. Expulsar demônio de crente que ninguém suspeitava nada de errado;

12. Expulsar crente de coisa do demônio;

13. Marcar vigília de oração com gente que não ora, comparecer sozinho e ainda ter que ouvir a desculpa do líder subordinado de que não sabia de nada;

14. Servir de mediador de briga de comadres;

15. Fazer vista grossa, obrigado, pra conduta de filho de outro pastor;

16. Denunciar pecado e receber o apelido de cagueta;

17. Acompanhar a disciplina de membro em pecado e no final sair como bisbilhoteiro;

18. Pedir pra sair do ministério e ser dissuadido por quem fala mal pelas costas;

19. Passar com o carro na frente da porta de motel e ser denunciado por irmã mexeriqueira, falsa e traiçoeira pro pastor titular, e ainda por cima e pastor acreditar, mesmo que parcialmente;

20. Fazer aniversário e ter que abraçar fingidos, e ouvir a frase: "Pastor, nós te amamos!";

21. Marcar estudo bíblico e aparecer só um seminarista devoto;

22. Marcar gabinete com reincidente, e o desgramado faltar todas as vezes, sempre com uma desculpa nova;

23. Readimitir no trabalho crente recém-saído de disciplina e ter que disciplinar o sujeito de novo com três meses ou menos;

24. Cometer o erro em fazer a readimição pela segunda vez e o sujeito cair pela terceira;

25. Ter que trabalhar com uma equipe "sem-vergonha" e ainda ser cobrado por terceiros se tudo der errado.

Ufá! Deus que me livre de ser pastor substituto. Prefiro começar tudo do zero do que ter que apagar incêndio de outro. E eu vou ficando por aqui, pois essa história já tá me dando desespero.
FUI!

Um comentário:

  1. É...
    é bem assim que as coisas acontecem.........
    e o pior é termos que assistir a td isso...
    Karlinha Danny

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